The Better Angels of Our Nature, último livro de
Steven Pinker é uma obra interessante; menos pelas suas conclusões que pelo
enorme conjunto dados que apresenta. A obra analisa algumas das diversas
formas de violência utilizadas pelos homens ao longo da história para
mostrar como a humanidade nunca foi tão pacífica quanto é hoje. Psicólogo e
lingüista polêmico, professor de Harvard e pop star da ciência, Pinker passou
décadas se esforçando para mostrar evidências de algo que as ciências humanas
tem se empenhado para provar que não existe: uma natureza humana independente
das culturas e capaz de determinar boa parte do comportamento humano (ideia
presente na teoria política clássica em autores como Maquiavel, Hobbes e Rousseau).
Não é exatamente o que fez dessa vez; ao mostrar que no século XXI temos menos
guerras, genocídios, assassinatos, torturas e agressões físicas que em qualquer
outro período da humanidade (inclusive quando comparamos as sociedades atuais
com sociedades da antiguidade clássica e a povos indígenas) ele acaba por
evidenciar tanto o papel das instituições quanto das ideias – sobretudo
políticas! Segundo ele, por exemplo, na Idade Média o número de homicídios na
Europa era mais de trinta vezes maior que o de hoje naquele período um em cada
quatro nobres ingleses morria de forma violenta, considerando que as doenças
eram muito mais letais, o número impressiona. Estranhamente, a tese dá
sustentação às ideias de pensadores políticos como Maquiavel e Hobbes, que
acreditavam que a centralização do poder, o fortalecimento do Estado e de suas
forças repressivas poderiam aumentar o grau de segurança e paz ainda que a
natureza humana fosse imutável, mas também aos iluministas, à defesa da
racionalidade como parâmetro para resolução de conflitos, à prerrogativa de
árbitros neutros, controle dos instintos, o sentido moral e a empatia enquanto
vinculação do caráter humano à defesa dos mais fracos.
