Mostrando postagens com marcador Ciências. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciências. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de março de 2013

Nem anjos nem demônios

Nem anjos nem demônios

The Better Angels of Our Nature, último livro de Steven Pinker é uma obra interessante; menos pelas suas conclusões que pelo enorme conjunto dados que apresenta. A obra analisa algumas das diversas formas  de violência utilizadas pelos homens ao longo da história para mostrar como a humanidade nunca foi tão pacífica quanto é hoje. Psicólogo e lingüista polêmico, professor de Harvard e pop star da ciência, Pinker passou décadas se esforçando para mostrar evidências de algo que as ciências humanas tem se empenhado para provar que não existe: uma natureza humana independente das culturas e capaz de determinar boa parte do comportamento humano (ideia presente na teoria política clássica em autores como Maquiavel, Hobbes e Rousseau). Não é exatamente o que fez dessa vez; ao mostrar que no século XXI temos menos guerras, genocídios, assassinatos, torturas e agressões físicas que em qualquer outro período da humanidade (inclusive quando comparamos as sociedades atuais com sociedades da antiguidade clássica e a povos indígenas) ele acaba por evidenciar tanto o papel das instituições quanto das ideias – sobretudo políticas! Segundo ele, por exemplo, na Idade Média o número de homicídios na Europa era mais de trinta vezes maior que o de hoje naquele período um em cada quatro nobres ingleses morria de forma violenta, considerando que as doenças eram muito mais letais, o número impressiona. Estranhamente, a tese dá sustentação às ideias de pensadores políticos como Maquiavel e Hobbes, que acreditavam que a centralização do poder, o fortalecimento do Estado e de suas forças repressivas poderiam aumentar o grau de segurança e paz ainda que a natureza humana fosse imutável, mas também aos iluministas, à defesa da racionalidade como parâmetro para resolução de conflitos, à prerrogativa de árbitros neutros, controle dos instintos, o sentido moral e a empatia enquanto vinculação do caráter humano à defesa dos mais fracos.