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sábado, 25 de fevereiro de 2017
Triste partida
terça-feira, 9 de abril de 2013
Culto à futilidade
Culto à futilidade
Qual o foi a última vez que você abriu a boca para falar algo que não fosse futilidade? Levando em conta que o cérebro humano, com dezenas de bilhões de neurônios interligados por outras dezenas de trilhões de sinapses, é a estrutura conhecida mais complexa do universo, é surpreendente a nossa capacidade de agirmos como idiotas a maior parte do tempo. Não é simples definir com exatidão o que é fútil ou irrelevante, o contexto ou a ocasião importam, mas isso é irrelevante, o que conta é o nosso ato voluntário de tentar viver num mundo infantil o tempo todo e de nos esquivarmos dos assuntos sérios e das questões espinhosas e o nosso medo de encaramos de frente as ideias que nos são contrárias. Braima foi meu aluno e professor, um sujeito raro, muçulmano nascido na Guiné Bissau ele vive no Brasil a poucos anos; talvez sem perceber, tinha o olhar estrangeiro que permite ver aquilo que já não conseguimos enxergar por nos ter se tornado óbvio, o olhar que o permite perguntar aquilo que nós não nos perguntamos: por que os brasileiros não conversam sobre coisas sérias e relevantes? No papel de professor nunca lhe dei uma resposta minimamente convincente, mas descobri na pergunta que o mestre da situação era ele, aquele que pôs a perturbadora questão a ser pensada. Obvio, como sempre, não tenho respostas mas devo ter passado mais que sete minutos especulando. Tenho dois palpites: somos umas bestas e queremos parecer legais. Continue lendo:
Qual o foi a última vez que você abriu a boca para falar algo que não fosse futilidade? Levando em conta que o cérebro humano, com dezenas de bilhões de neurônios interligados por outras dezenas de trilhões de sinapses, é a estrutura conhecida mais complexa do universo, é surpreendente a nossa capacidade de agirmos como idiotas a maior parte do tempo. Não é simples definir com exatidão o que é fútil ou irrelevante, o contexto ou a ocasião importam, mas isso é irrelevante, o que conta é o nosso ato voluntário de tentar viver num mundo infantil o tempo todo e de nos esquivarmos dos assuntos sérios e das questões espinhosas e o nosso medo de encaramos de frente as ideias que nos são contrárias. Braima foi meu aluno e professor, um sujeito raro, muçulmano nascido na Guiné Bissau ele vive no Brasil a poucos anos; talvez sem perceber, tinha o olhar estrangeiro que permite ver aquilo que já não conseguimos enxergar por nos ter se tornado óbvio, o olhar que o permite perguntar aquilo que nós não nos perguntamos: por que os brasileiros não conversam sobre coisas sérias e relevantes? No papel de professor nunca lhe dei uma resposta minimamente convincente, mas descobri na pergunta que o mestre da situação era ele, aquele que pôs a perturbadora questão a ser pensada. Obvio, como sempre, não tenho respostas mas devo ter passado mais que sete minutos especulando. Tenho dois palpites: somos umas bestas e queremos parecer legais. Continue lendo:
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Mercado de ilusões
Mercado de ilusões
O sistema educacional brasileiro é um dos piores do mundo, todos sabem; e se conformam. Com o tempo e a experiência tendemos a nos conformar com as coisas mais absurdas. A mim, já não causa espanto saber que ao entrar numa sala de ensino superior irei me deparar com uma parcela significativa de alunos que são analfabetos funcionais, o que me espanta é a hipocrisia que envolve a questão e a cumplicidade de todos para manter a situação. A mediocridade busca o caminho mais fácil, todos culpam os governos e ninguém assume suas responsabilidades. Todos mentem, enganam ou se calam e assim o ambiente se torna agradável. Estudantes se enganam em segredo, sabem que não sabem, sabem que não aprendem, talvez não desejassem estar na condição em que estão mas preferem o silêncio; como, sem parecer arrogante ou cruel, como dizer a um aluno universitário que o nível de leitura dele é equivalente ao que se espera de um aluno de quinta série? Os professores, esses geralmente são covardes, preferem relações baseadas em bajulação mútua e não gostam de comprar conflitos; em instituições privadas costumam se transformar em representantes das instituições que lhes pagam os salários e se transformam em vendedores de sonhos, mentem para vender ilusões. Continue lendo
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Ídolos e heróis
Ídolos e heróis
Éramos crianças e escolhíamos os
nossos super-heróis favoritos, aqueles que detinham os poderes que gostaríamos
de ter. Desejávamos força e poderes extraordinários, capacidade de voar ou ficar
invisível, viajar no tempo ou se tornar gigante, talvez combater monstros, o
mal ou as injustiças do mundo. Sem perceber, crescemos, perdemos algumas ilusões, ganhamos
outras, mas em nós aquele herói continua vivo e preso, ele sobrevive em algum
lugar obscuro das nossas almas, talvez lutando contra as trevas que nos habitam.
Trocamos o sonho de poderes sobrenaturais pelo desejo de ter qualidades que
sabemos não possuir, mas que são acessíveis aos homens. Os heróis dão lugar aos
ídolos, os homens medíocres trocam seus heróis completos mas inatingíveis por
mortais que assim como nós são formados de carne, osso, estupidez e canalhice; mas
tanto uns quanto os outros continuam dizendo mais sobre cada um de nós do que gostaríamos
ou suportaríamos ouvir. Continue lendo
terça-feira, 29 de maio de 2012
Nossos fracassos de cada dia
Nossos fracassos de cada dia
O mundo parece conspirar para que cada um nós acredite o esforço individual é que determina o sucesso ou o fracasso de cada um, como se cada aspiração, desejo, ambição ou sonho fosse possível e estivesse ao alcance dos mais esforçados. Seria como se tivéssemos um enorme supermercado onde é possível escolher pretensões e objetivos e levá-los para a vida, desde que haja ânimo, coragem e força de vontade suficientes para pagar a conta no caixa; tudo seria possível. Ninguém questiona o papel do esforço pessoal, ocorre que a tal força de vontade é apenas uma etapa do caminho ou da vida, o problema é tomá-la como decisiva sempre. Quando não consegue alcançar sonhos e objetivos os indivíduos são vistos como fracos, incompetentes ou perdedores e, portanto, são convidados a andar de cabeças baixas assumindo seu sentimento de vergonha. É uma crença tanto falsa quanto cruel porque impõe um pesado sentimento de autopunição. Dizia Cervantes que o sonho é o alívio das misérias, talvez o fosse noutro mundo, talvez o seja para quem, como Dom Quixote, não teme o ridículo por não compartilhar uma realidade que impõe desejos tanto quanto impõe comportamentos, limites, frustrações e fracassos. No passado o homem tinha o destino como amigo e companheiro, a ele se podia atribuir nossas falhas e fracassos, dele vinha a nossa redenção pelo fato de não sermos capazes de ultrapassar os limites que a vida que a vida nos coloca. Continue lendo




