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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O grito das ruas

O grito das ruas


O ano de 2011 foi marcado pelas manifestações políticas nas ruas de cidades ao redor do mundo. Da praça Tahrir no Cairo a Wall Street em Nova York, das ruas de Londres a capital chilena. Em Israel, Espanha, Índia, Líbia, Grécia e nos cafundós do Judas as ruas foram tomadas por multidões em busca de mudanças maiores ou menores. Não há uma pauta de reivindicações que una esses manifestantes, existe, contudo, alguns pontos que permitem pensar uma certa unidade entre esses fenômenos; o primeiro, e talvez mais importante, é o fato da desconfiança e descrença generalizada nas regras do jogo e na política institucionalizada, mesmo aqueles que reivindicam a democracia representativa se mostram com um pé atrás em relação aos políticos e partidos tradicionais; o segundo é a centralidade da questão da desigualdade econômica, a afirmação de que a plenitude dos direitos e a própria possibilidade democrática só é possível com a redução das desigualdades econômicas; o terceiro é o uso das novas tecnologias que permitem novas formas de comunicação; o acesso à Internet e a utilização das redes sociais possibilitaram a mobilização rápida e um novo sistema de organização. Em grande medida esses acontecimentos remetam às manifestações ocorridas no início da década de 1990, chamadas pela grande mídia como movimento anti-globalização, que foram sufocadas após os atentados de 11 de setembro. Essas manifestações apontam para novas formas de organização política, muito mais difusa, menos coesa e mais pontual, portanto menos ideológica, porém mais forte, pois se forma numa nova forma de poder: aquele mesmo relacionado à comunicação e à formação da opinião pública mas agora menos atrelado à grande imprensa e às grandes corporações que controlam os meios de comunicação de massa.