Nossos fracassos de cada dia
O mundo parece conspirar para que cada um nós acredite o esforço individual é que determina o sucesso ou o fracasso de cada um, como se cada aspiração, desejo, ambição ou sonho fosse possível e estivesse ao alcance dos mais esforçados. Seria como se tivéssemos um enorme supermercado onde é possível escolher pretensões e objetivos e levá-los para a vida, desde que haja ânimo, coragem e força de vontade suficientes para pagar a conta no caixa; tudo seria possível. Ninguém questiona o papel do esforço pessoal, ocorre que a tal força de vontade é apenas uma etapa do caminho ou da vida, o problema é tomá-la como decisiva sempre. Quando não consegue alcançar sonhos e objetivos os indivíduos são vistos como fracos, incompetentes ou perdedores e, portanto, são convidados a andar de cabeças baixas assumindo seu sentimento de vergonha. É uma crença tanto falsa quanto cruel porque impõe um pesado sentimento de autopunição. Dizia Cervantes que o sonho é o alívio das misérias, talvez o fosse noutro mundo, talvez o seja para quem, como Dom Quixote, não teme o ridículo por não compartilhar uma realidade que impõe desejos tanto quanto impõe comportamentos, limites, frustrações e fracassos. No passado o homem tinha o destino como amigo e companheiro, a ele se podia atribuir nossas falhas e fracassos, dele vinha a nossa redenção pelo fato de não sermos capazes de ultrapassar os limites que a vida que a vida nos coloca. Continue lendo
