Contra os idiotas
Somos todos prisioneiros, embora tenhamos penas diferentes ninguém
escapa de suas celas. A vida cotidiana representa a clausura do indivíduo preso
às futilidades cotidianas onde o homem torna-se espectador do mundo, refém das
necessidades imediatas ditadas pela lógica das relações de produção e do
consumo. Isso seria óbvio se não nascesse de um paradoxo, nunca fomos tão
livres. Ocorre que a liberdade do indivíduo que caracteriza a modernidade traz
em si um avanço ambíguo. Nela os indivíduos já não estão presos a laços sociais
hierárquicos, a amarras religiosas ou morais; é inteiramente de cada indivíduo
a responsabilidade de criar a si mesmo, o homem é o responsável por instituir
ou validar os valores sob os quais pode e quer viver; mas isso é uma
possibilidade que não se concretiza. Sabemos que o mundo não trás em si nenhum
sentido e se nenhum valor é transcendente, universal ou divino, eles só podem
ser estabelecidos na luta entre os homens, como arma e resultado de processos
de dominação. O esfacelamento da moral cristã como denominador comum do mundo
ocidental dá ao indivíduo a possibilidade de criar e recriar os valores sob os
quais pretende viver mas isso exige uma racionalidade que é cada vez mais rara. Continue lendo:

