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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Contra os idiotas

Contra os idiotas

Somos todos prisioneiros, embora tenhamos penas diferentes ninguém escapa de suas celas. A vida cotidiana representa a clausura do indivíduo preso às futilidades cotidianas onde o homem torna-se espectador do mundo, refém das necessidades imediatas ditadas pela lógica das relações de produção e do consumo. Isso seria óbvio se não nascesse de um paradoxo, nunca fomos tão livres. Ocorre que a liberdade do indivíduo que caracteriza a modernidade traz em si um avanço ambíguo. Nela os indivíduos já não estão presos a laços sociais hierárquicos, a amarras religiosas ou morais; é inteiramente de cada indivíduo a responsabilidade de criar a si mesmo, o homem é o responsável por instituir ou validar os valores sob os quais pode e quer viver; mas isso é uma possibilidade que não se concretiza. Sabemos que o mundo não trás em si nenhum sentido e se nenhum valor é transcendente, universal ou divino, eles só podem ser estabelecidos na luta entre os homens, como arma e resultado de processos de dominação. O esfacelamento da moral cristã como denominador comum do mundo ocidental dá ao indivíduo a possibilidade de criar e recriar os valores sob os quais pretende viver mas isso exige uma racionalidade que é cada vez mais rara. Continue lendo: 


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A corda e o pescoço

A corda e o pescoço

Somos assim, na superfície tudo parece calmo, mas nas profundezas o inferno arde em chamas, pronto para explodir. Nos poços mais profundos da alma podemos perceber a engrenagem dessa máquina movida por desejos, instintos e interesses; é lá que poderemos encontrar o tênue equilíbrio entre o fogo que sustenta a vida e as chamas que nos levam à morte. Somos a espécie única de uma máquina capaz de autodestruir, apenas para nós o suicídio é uma possibilidade, como se a cada dia tivéssemos que nos responder a nós mesmos por que a vida vale a pena. Jacintha Saldanha resolveu morrer. Como tantas outras pessoas ao redor do mundo, num dia igual a qualquer outro dia decidiu dizer chega, saiu de casa, se despediu do marido e dos três filhos, escreveu três cartas de despedida foi para seu trabalho. Enfermeira, foi para o mesmo hospital onde cuidava da vida das pessoas e resolveu apelar para a tradição, amarrou uma corda no pescoço e se enforcou. Ninguém jamais poderá chegar às profundezas da sua alma, ninguém saberá seus motivos. Seria mais uma suicida, mais um número, faria parte das estatísticas, mas Jacintha havia se tornado conhecida três dias antes... Continue lendo: