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Por pouco não acreditei em Papai Noel! Se o bom velhinho não apareceu, o Correio trouxe o presente; veja que coincidência supimpa: ganhei um livro do Gabriel Chalita, e na minha ingenuidade nem sei exatamente por quê. Nunca o vi, jamais comprei ou compraria um livro seu, mas não é que o bom mocinho soube da minha existência e resolveu me presentear? Sei que mereço até mais, entretanto, não estivesse com a alma limpa pelo espírito natalino desconfiaria; afinal não é ele um dos nomes cotados para ser um dos homens fortes do PMDB e possível candidato à prefeitura de São Paulo? Se tivesse espírito de porco (como tenho) perguntaria como ele sabe meu endereço e quem bancou o livro, afinal imagino que mais algumas dezenas de milhares de exemplares foram deixados por aí para pessoas batutas como eu. Sua literatura de quinta categoria, mistura de auto-ajuda, citações filosóficas rasas e pregações de inspiração carismáticas não me convencem, como político não se sabe exatamente a que veio: ex-pupilo de Alckmin, como secretário da educação foi um fiasco – mais um no patético descaminho da administração tucana para a educação paulista, como deputado é só mais um, mas a cara de bom moço, a fala mansa e ordenada, o discurso contido de coroinha bem treinado e o enorme tempo que possuirá na televisão fazem de Chalita um político com grande potencial de voto, não à toa foi o deputado estadual mais votado nas últimas eleições e um dos favoritos na corrida pela prefeitura paulista. Ele é tudo o que o PMDB paulista precisava, é tudo o que a cidade não precisa!
