Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O sorriso das hienas

O sorriso das hienas

Adeus revolução, adeus minha ilusão! Como descontente e insatisfeito, sempre imaginei que as pessoas desejavam viver em um outro mundo e que a vida cotidiana do trabalhador assalariado seria um fardo indesejado, pensava que aquelas pessoas com quem eu trombava nos ônibus e trens lotados estariam descontentes com suas rotinas, seus empregos e salários, com os serviços públicos e com o governo. Estava errado, assim como meu tio Marx! Os trabalhadores do mundo estão unidos em satisfação e meus companheiros de lotação só não sorriem mais por falta de dentes. Pesquisa realizada com mais de 9 mil trabalhadores de 16 países mostra que imensa maioria das pessoas sentem prazer em ir trabalhar, em 15 desses países o índice supera 80% e chega a 96% no topo da lista. Entre outras coisas, os trabalhadores estão satisfeitos com o tipo de trabalho, com a quantidade de horas, a estabilidade, a relação com seus chefes e a remuneração. E adivinha quem é o mais satisfeito? É nóis! Comparativamente, os brasileiros ganham menos que os europeus, americanos e japoneses, geralmente trabalham mais, vivem menos e em condições materiais inferiores, entretanto mais satisfeito. Não é surpresa, uma outra pesquisa, essa realizada com cerca de 200 mil pessoas em 158 países, mostra que o Brasil é também campeão em felicidade. Continue lendo


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Certezas fundamentais

Certezas fundamentais
.
Temos idéias prontas e com elas enxergamos o mundo, os fatos são detalhes que servem para justificar as crenças que temos; a crise econômica e política nos Estados Unidos é uma mostra de como isso funciona, mesmo nas mentes que se pensam sofisticadas. Especialistas e analistas de esquerda e de direita, de dentro e de fora, se esforçam para encaixar os acontecimentos em suas teorias e ideologias, uns afirmam que é a decadência ou mesmo o fim da supremacia americana enquanto outros reafirmam a crença na capacidade do Império, uns  sustentam que a crise tem origem na desregulamentação dos mercados e pedem mais intervenção dos governos enquanto outros tentam mostrar que a culpa é do Estado que se intromete demais. Entre o céu e a terra está o mundo palpável e nele os Estados Unidos ainda domina o jogo; o seu poder militar ainda é extraordinariamente superior ao de qualquer possível rival, seu poder ideológico, capaz de conquistar corações e mentes, é a cada dia mais hegemônico, o seu poder econômico ainda sustenta as relações entre os países, isso tudo lhe dá um poder político que está longe de definhar. Ao mesmo tempo, entretanto, temos um país em profunda crise política onde aqueles que deveriam representar os interesses da população se curvam diante dos interesses do mercado financeiro e esse mercado é refém de seus especuladores que insistem em privatizar os lucros e estatizar os prejuízos. Obama há muito deixou de ser esperança e mostrou-se um presidente fraco enquanto a oposição republicana a cada dia dá passos em direção ao conservadorismo fundamentalista. O cenário atual talvez evidencie apenas o crepúsculo, a escuridão ainda está por vir, enquanto isso, para nossa alegria ou tristeza, ainda teremos mais algumas décadas de domínio do Tio Sam. Quanto às certezas incertas, estas servem de conforto.
.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Milionário e José Rico

Milionário e José Rico

Brasileiro odeia pobre e ama a riqueza; os mais pobres não são vistos como pessoas iguais em caráter e em direitos e, paradoxalmente, os ricos, mesmo invejados, estão sempre sob suspeita quanto à origem da sua riqueza! Assim como os americanos do norte, vivemos a ilusão de que o pobre é responsável pela situação em que vive, nosso pensamento individualista tosco coloca na testa de cada um deles a marca do fracassado e o estigma do incapaz enquanto ao rico a cabe a pecha da desonestidade; essa como uma falha suavizada, não como uma falta do caráter mas quase como um destino que lhe permite uma mistura de esperteza e oportunidade. Por essas terras é mais vergonhoso ser pobre honesto que ser rico a base de falcatruas, afinal o importante é levar vantagem sempre, certo? Nesse mundo parece não haver espaço para luta de classes. A velha classe média e a nova classe C se incomodam com os programas assistenciais do governo que não lhes beneficiam, não querem pagar pelo Bolsa Família ou pelo bolsa qualquer coisa e se esperneiam ao dizer que esses programas só servem para sustentar vagabundos e seus vícios. Não pensam assim por serem liberais mas por preconceito e desconhecimento. No Brasil são os mais pobres que, proporcionalmente, pagam mais impostos e o governo age como um Hobin Hood às avessas, distribuindo aos ricos o que tirou da maioria. No último ano o orçamento da União mostra que quase metade do que foi arrecadado serviu para o pagamento de dívidas, geralmente com grandes bancos nacionais ou estrangeiros. Bilhões de reais em juros de dívida mas também bilhões de reais em corrupção, de impostos que saem do arroz e do feijão e vão parra em bancos suíços, é dinheiro fácil que circula entre mãos de pessoas que não usam transporte público, que não trabalham 40 horas semanais, que não vivem de salários e que não chegam endividadas ao fim de cada mês. Mas a riqueza tem brilho e a pobreza cheiro ruim e a sensibilidade dos sentidos nos aproxima daquilo que desejamos ter e ser, danem-se os famintos.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mercado de ilusões

Mercado de ilusões

O sistema educacional brasileiro é um dos piores do mundo, todos sabem; e se conformam. Com o tempo e a experiência tendemos a nos conformar com as coisas mais absurdas. A mim, já não causa espanto saber que ao entrar numa sala de ensino superior irei me deparar com uma parcela significativa de alunos que são analfabetos funcionais, o que me espanta é a hipocrisia que envolve a questão e a cumplicidade de todos para manter a situação. A mediocridade busca o caminho mais fácil, todos culpam os governos e ninguém assume suas responsabilidades. Todos mentem, enganam ou se calam e assim o ambiente se torna agradável. Estudantes se enganam em segredo, sabem que não sabem, sabem que não aprendem, talvez não desejassem estar na condição em que estão mas preferem o silêncio; como, sem parecer arrogante ou cruel, como dizer a um aluno universitário que o nível de leitura dele é equivalente ao que se espera de um aluno de quinta série? Os professores, esses geralmente são covardes, preferem relações baseadas em bajulação mútua e não gostam de comprar conflitos; em instituições privadas costumam se transformar em representantes das instituições que lhes pagam os salários e se transformam em vendedores de sonhos, mentem para vender ilusões. Continue lendo


terça-feira, 3 de julho de 2012

O fim de uma era

O fim de uma era  


The Old Firm, é assim que se chama uma das mais importantes batalhas campais da história, o clássico escocês entre Celtic e Rangers, para muitos a maior rivalidade do futebol mundial. É mais que isso! Quem ainda acha que futebol é um apenas um esporte, dificilmente poderá entender o peso da batalha e a história que entra no gramado ou se instala nas arquibancadas a cada partida. No futebol a rivalidade começou no século XIX ,mas, como diria tio Nelson, o mais provável é que a disputa tenha começado quarenta minutos antes do nada. Nos estádios de Glasgow é comum se ouvir cantos que relembram batalhas ocorridas a mais de quatrocentos anos, como as que se referem ao massacre de católicos ocorrido durante a reforma protestante, e gritos que mostram uma Escócia dividida pela política e pela religião.  O Celtic foi fundado dentro da pobre e católica comunidade irlandesa, daí o verde do uniforme e o trevo como símbolo, por oposição o Rangers se firmou como o time dos britânicos e protestantes e por quase de cem anos nenhum católico pôde jogar na equipe; ser torcedor do Celtic significa ser católico, ser contra o Reino Unido e contra a Rainha, significa fazer parte de uma minoria historicamente discriminada, oprimida e pobre, não por acaso o clube é amado também por irlandeses e ainda por grupos libertários e esquerdistas de toda a Europa. Continue lendo
 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Entre o bolso e a urna

Entre o bolso e a urna


O bolso é um dos principais órgãos do corpo humano, é também elemento importante para as escolhas feitas nas urnas: se a perspectiva de ganhos é maior que a de perdas o eleitor tende a desejar manter o grupo que está no poder, se ocorre o contrário a tendência é a mudança. É uma simplificação tosca, óbvio, mas pode dizer algo sobre as eleições na Europa e nas Américas: em países como Brasil e Argentina a tendência é a continuidade enquanto na França, Espanha e Grécia o eleitor busca mudanças.  É um fator que não decorre de uma racionalidade econômica mas por uma sensação que pode ser de frustração, esperança ou medo, por exemplo. O bolso, entretanto, é mutável e mais volúvel que as crenças; as visões de mundo influenciam as percepções e determinam os sentimentos com uma força muito maior do que a da frágil realidade concreta dos números da economia. A derrota de Sarkozi nas últimas eleições francesas e o calvário de Obama em busca da reeleição evidenciam a força dessas visões, franceses e americanos pensam formas diferentes de Estado e desejam modos diversos de intervenção governamental; os primeiros esperam que o governo resolva seus problemas enquanto os segundos acham que ele deve não atrapalhar, não é pouco é uma diferença fundamental, temos uma sociedade que se organizou a partir do interesse público e outra que nasceu contra a estrutura estatal, uma que historicamente tentou organizar uma sociedade voltada para os interesses públicos e outra que se fundamenta no individualismo liberal. Continue lendo


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Lousa de vidro e cara de pau

Lousa de vidro e cara de pau


Semana sim, semana não, um político de peso escreve algo sobre a importância da educação para o futuro do país. No último sábado foi a vez de Aécio Neves vomitar sua hipocrisia. Fora do estado, a greve de professores de Minas Gerais passou despercebida, como se não fosse um assunto importante e nacional mas quem se importa minimamente com a educação não pode esquecer a greve de professores em Minas. Para além da chance (mais uma) de se discutir os rumos da educação e do país, foi esquecido um ponto fundamental: a de que o estado foi governada oito anos por Aécio Neves, mais provável candidato da oposição à presidência do país em 2014. O fato de ter descumprido a lei nacional do piso do magistério e deixado o estado com o menor piso salarial do país (616 reais por 40 horas semanais, pouco mais da metade do mínimo exigido) e de não ter cumprido a norma que fixa que um terço da jornada seja destinado a atividades extraclasse não é um bom cartão de visita para um presidenciável. É fato que nenhum professor recebe apenas o piso mas o fato de não cumprir com o mínimo mostra a importância que Aécio deu à educação em seu governo. Também não cumprem a lei do piso os estados da Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul, enquanto a lei da jornada extraclasse é descumprida por pelo menos quinze estados, entre eles Ceará, Paraná e Pernambuco e São Paulo, estado mais rico da união – e onde mais de 60% das escolas possui problemas de superlotação em pelo menos uma sala. Esses números mostram o quanto o discurso está longe da realidade, enquanto todos falam da importância da educação a maioria dos governadores não cumprem com o mínimo exigido por lei; o baixo salário dos professores (em média 40% do que ganha um profissional com o mesmo nível de escolaridade, segundo a Pnad de 2009) e as precárias condições de trabalho afastam os profissionais mais qualificados, desestimula a formação de novos e dificulta o trabalho. Falar em educação como prioridade é muito fácil levar a educação à sério ainda não. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O grito das ruas

O grito das ruas


O ano de 2011 foi marcado pelas manifestações políticas nas ruas de cidades ao redor do mundo. Da praça Tahrir no Cairo a Wall Street em Nova York, das ruas de Londres a capital chilena. Em Israel, Espanha, Índia, Líbia, Grécia e nos cafundós do Judas as ruas foram tomadas por multidões em busca de mudanças maiores ou menores. Não há uma pauta de reivindicações que una esses manifestantes, existe, contudo, alguns pontos que permitem pensar uma certa unidade entre esses fenômenos; o primeiro, e talvez mais importante, é o fato da desconfiança e descrença generalizada nas regras do jogo e na política institucionalizada, mesmo aqueles que reivindicam a democracia representativa se mostram com um pé atrás em relação aos políticos e partidos tradicionais; o segundo é a centralidade da questão da desigualdade econômica, a afirmação de que a plenitude dos direitos e a própria possibilidade democrática só é possível com a redução das desigualdades econômicas; o terceiro é o uso das novas tecnologias que permitem novas formas de comunicação; o acesso à Internet e a utilização das redes sociais possibilitaram a mobilização rápida e um novo sistema de organização. Em grande medida esses acontecimentos remetam às manifestações ocorridas no início da década de 1990, chamadas pela grande mídia como movimento anti-globalização, que foram sufocadas após os atentados de 11 de setembro. Essas manifestações apontam para novas formas de organização política, muito mais difusa, menos coesa e mais pontual, portanto menos ideológica, porém mais forte, pois se forma numa nova forma de poder: aquele mesmo relacionado à comunicação e à formação da opinião pública mas agora menos atrelado à grande imprensa e às grandes corporações que controlam os meios de comunicação de massa.
 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vitória do terror

Vitória do terror
.

Dez anos após os atentados de 11 de setembro o mundo ainda parece incapaz de entender o seu significado e dimensionar todas as suas conseqüências, ainda assim um fato parece gritar: não há nesse início de século qualquer homem que faça sombra em termos de importância a Osama Bin Laden, ninguém nesse período teve uma influência tão grande nos rumos do planeta quanto ele; o terrorismo venceu e o êxito da Al Qaeda foi provavelmente muito maior do eles mesmos imaginaram. Se o objetivo era espalhar o medo e o terror e com isso desestruturar a sociedade norte-americana o resultado não poderia ser melhor, em um único dia os terroristas conseguiram fazer estragos talvez maiores do que a União Soviética tenha conseguido em quatro décadas de Guerra Fria. Além de apresentar o terror aos ingênuos sobrinhos do Tio Sam, Bin Laden e seus homens contribuíram para colocar o país numa encruzilhada maniqueísta que pode levá-lo a um governo fundamentalista de direita; com a ajuda de George Bush e sua desastrada estratégia de guerra contra o terror, que consumiu mais de cinco trilhões de dólares, contribuíram decisivamente para a maior crise econômica em mais de meio século. A morte em combate só contribui para transformar o terrorista em mito, se de fato estiver no fundo do mar, o terrorista saudita deve ter muito o que comemorar pelo que conseguiu nessa última década, mas também deve agradecer e muito o apoio que teve da imprensa que contribuiu para transformar seus feitos em gigantescos espetáculos midiáticos e para transformá-lo em mito, deve agradecer ao governo Bush que fez de tudo para espalhar o medo pelo país, que inventou guerras funestas e ajudou a dividir o mundo alimentando novos inimigos por todos os seus cantos.
.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Língua com farofa

Língua com farofa

Li semanas atrás uma entrevista com Gene Simmons, o linguarudo vocalista e baixista do Kiss. Como músico o sujeito é uma farsa inofensiva do mundo pop, mas seus comentários sobre política e economia podem merecer alguma atenção. Simmons é um pouco mais do que uma Carla Peres do rock farofa; sua enorme língua, entretanto, ajuda a articular frases que podem nos permitir alguma compreensão de um pouco do raciocínio de certa parcela do eleitorado americano. Duas coisas chamam atenção: primeiro o sujeito afirmar que iria votar em Obama pelo fato de ele ir atrás dos terroristas, segundo suas reflexões sobre economia. Como milhões de outros americanos, ele é um eleitor decepcionado com os rumos ’esquerdistas’ das políticas de Obama que resolveu rever suas posições após o assassinato de Bin Laden, nisso ele é claro ao defender que os Estados Unidos devem ‘pegar o bandido’ mesmo que para isso seja necessário violar as leis internacionais. Como analista econômico ele vai mais longe, defendendo que os sindicatos são um empecilho ao capitalismo – pois encarecem a mão-de-obra e os produtos – e se colocando contra os direitos à aposentadoria, férias e licença maternidade. Assim com boa parte dos republicanos, Simmons defende um Estado militar forte capaz de impor seus interesses nas questões externas e um Estado liberal fraco que não interfira na economia em questões internas. Paradoxalmente o exemplo que está na sua cabeça é a China, onde não por acaso a competitividade econômica é muito mais importante que a liberdade ou mesmo a vida de seus habitantes. Pois é, décadas atrás o Kiss foi visto como uma ameaça à conservadora sociedade americana, talvez tivessem razão, a julgar pelos seu vocalista devemos nos perguntar se não estamos diante de uma das bestas do apocalipse!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Famintos e insaciáveis

Famintos e insaciáveis


Neste exato momento, apenas na região do Chifre da África, mais de 12 milhões de pessoas vivem em situação de emergência por conta da fome; são pessoas que, como eu e você, vivem pequenos prazeres e suportam suas dores, a diferença é que eles alimentam sonhos sem conseguir antes conseguir alimentar seus corpos. Segundo a ONU, cerca de 10 mil crianças morrem a cada mês em consequência direta da falta de alimentos, agora agravada pela pior seca das últimas décadas na região. Mas o mundo não parece preocupado com a fome na Somália, Etiópia, Sudão ou Uganda, afinal imagina-se que isso faça parte dos desígnios da natureza, para não falar divinos, e que a pobreza extrema é parte de uma paisagem natural; não é. A fome não decorre da seca, é conseqüência de políticas desastradas, de conflitos econômicos e interesses mesquinhos que ultrapassam em muito as fronteiras daqueles países. A produção de alimentos cresce constantemente e seria suficiente para alimentar a todos, o cerne do problema não está na superfície. A falta de alimentos torna-se cada dia mais comum entre as populações mais pobres em todo o mundo, o preço daquilo que se come tem subido muito acima da inflação em todos os lugares e entre as causas estão o uso da terra para produzir ração animal e a estrutura do sistema financeiro mundial. Investidores de todo o mundo especulam e ganham fortunas nas bolsas de valores pensando os alimentos como commodities altamente lucrativas: quanto mais lucros, maiores os preços, e menores as quantidades de comida para os mais pobres. Milhares morrem de fome para enriquecer meia dúzia de milionários que têm como necessidade básica alimentar seus egos famintos e insaciáveis.  


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Caminhando e cantando

Caminhando e cantando

Uma série de manifestações tem ocorrido no Chile nos últimos meses para protestar contra o modelo de sistema educacional adotado no país. Grande parte das instituições de ensino secundário e superior está parada a pelo menos três meses, grandes protestos de rua, conflitos com a polícia, centenas de presos e alunos em greve de fome. O contraponto à revolta dos chilenos é a apatia bovina dos estudantes brasileiros. As avaliações internacionais mostram que o sistema chileno quando comparado ao brasileiro tem qualidade ainda muito superior e a porcentagem de jovens universitários também é maior por lá. Com reformas que vêm da ditadura Pinochet, o Chile é um dos países que mais longe levou o processo de privatização do ensino: na prática o governo sustenta boa parte do sistema educacional privado pagando, através de bônus – os vouchers – a permanência dos estudantes nas escolas e universidades. Como o bônus nem sempre é suficiente, os estudantes mais pobres usam esses recursos para pagar instituições mais baratas e de baixa qualidade enquanto os mais ricos os complementam para estudar nas melhores, bem mais caras; esse sistema não apenas reproduz como aumenta as já enormes desigualdades sociais. Os manifestantes, que contam com o apoio da maioria da população, exigem o fim desse sistema e pedem que os recursos públicos sejam destinados às instituições públicas e que o ensino seja gratuito e de boa qualidade para todos, se opondo ao governo que se recusa a rever essa política. Enquanto isso na Terra Brazilis o sistema educacional que segrega e cria ilusões individualistas continua indo de mal a pior mas com total aprovação dos jovens, que se contentam com qualquer coisa e ainda batem palmas. Talvez seja na capacidade de bater palmas que os estudantes brasileiros se diferenciem dos bois.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Diploma falso

Diploma falso
.
‘É de se perguntar se havia doutores diplomados no alvorecer de Bolonha, Oxford, Harvard e Coimbra’. Com argumentos como esse o senador paranaense Álvaro Dias, do PSDB, se posicionou a favor do projeto de lei que tramita no senado para livrar as universidades da obrigação de contratação de professores com títulos de mestre e doutor. O senador não é exatamente uma besta, ele sabe que não se pode comparar o papel que cabe à universidade no mundo atual com aquele que ela tinha séculos atrás. Bolonha foi criada em 1088, Oxford entre 998 e 1096 e Coimbra em 1290, Harvard a mais jovem delas é de 1636, são anteriores a formação do Brasil, nasceram em épocas em que o sistema universitário era muito diferente na forma, no conteúdo e no papel social que deve desempenhar. A universidade atual é um lócus privilegiado para a construção e difusão de saberes fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Dias deve saber disso, mas é a consciência que parece lhe guiar, são interesses. O sistema nacional de ensino superior está distante dos padrões internacionais e as universidades privadas, as grandes beneficiárias, tem no geral baixíssima qualidade; o projeto pretende reduzir custo, aumentar lucros, e elevar a produtividade das nossas maravilhosas fábricas de diplomas.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dinheiro sobrando

Dinheiro sobrando
.
Com 420 milhões de reais é possível construir escolas, creches, hospitais, postos de saúde... Pode-se investir em transporte, segurança ou dezenas de outras prioridades para a população paulistana, que sofre com a péssima qualidade dos serviços públicos. Parece óbvio, mas não é exatamente o que pensa Gilberto Kassab e a maioria dos vereadores de São Paulo, o prefeito simplesmente abriu mão desse dinheiro, como quem diz não quero ou não preciso, aprovando a isenção fiscal para a construção do estádio do Corinthians. Nada contra o estádio, nada contra o time, a questão é: a prefeitura pode abrir mão desse dinheiro? O argumento para a bondade é que a obra trará desenvolvimento para a zona leste e o retorno virá em poucos anos; bobagem, estádio não traz riqueza a lugar algum, basta ver so utilizados na Copa da áfrica do Sul ou na Eurocopa de Portugal que estão às moscas ou em demolição. O fato é que um dinheiro que deveria ser público e usado em obras públicas será desviado para uma obra privada com interesses privados.
.