Semana sim, semana não, um político de peso escreve algo sobre a importância da educação para o futuro do país. No último sábado foi a vez de Aécio Neves vomitar sua hipocrisia. Fora do estado, a greve de professores de Minas Gerais passou despercebida, como se não fosse um assunto importante e nacional mas quem se importa minimamente com a educação não pode esquecer a greve de professores em Minas. Para além da chance (mais uma) de se discutir os rumos da educação e do país, foi esquecido um ponto fundamental: a de que o estado foi governada oito anos por Aécio Neves, mais provável candidato da oposição à presidência do país em 2014. O fato de ter descumprido a lei nacional do piso do magistério e deixado o estado com o menor piso salarial do país (616 reais por 40 horas semanais, pouco mais da metade do mínimo exigido) e de não ter cumprido a norma que fixa que um terço da jornada seja destinado a atividades extraclasse não é um bom cartão de visita para um presidenciável. É fato que nenhum professor recebe apenas o piso mas o fato de não cumprir com o mínimo mostra a importância que Aécio deu à educação em seu governo. Também não cumprem a lei do piso os estados da Bahia, Goiás e Rio Grande do Sul, enquanto a lei da jornada extraclasse é descumprida por pelo menos quinze estados, entre eles Ceará, Paraná e Pernambuco e São Paulo, estado mais rico da união – e onde mais de 60% das escolas possui problemas de superlotação em pelo menos uma sala. Esses números mostram o quanto o discurso está longe da realidade, enquanto todos falam da importância da educação a maioria dos governadores não cumprem com o mínimo exigido por lei; o baixo salário dos professores (em média 40% do que ganha um profissional com o mesmo nível de escolaridade, segundo a Pnad de 2009) e as precárias condições de trabalho afastam os profissionais mais qualificados, desestimula a formação de novos e dificulta o trabalho. Falar em educação como prioridade é muito fácil levar a educação à sério ainda não.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Colheita maldita
Colheita maldita
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Qual o peso de um político que se torna o principal líder da oposição e que numa única eleição recebe mais de quarenta milhões de votos? Facilmente poderíamos dizer que seu peso é enorme, não fosse esse político José Serra. Mesmo obtendo mais de 40% dos votos nas últimas eleições presidenciais o tucano saiu fragilizado da campanha, foi abandonado pelo seu partido, que não o deseja para 2014 e só tem espaço na mídia quando aparece em velórios ou dá palpites furados sobre o Palmeiras, seu time. Não foi a campanha patética, que conseguiu desagradar mais os aliados que os inimigos, que tirou Serra do jogo, foi o seu projeto pessoal auto-centrado: Serra confia nele e em mais ninguém e por isso quer ter as rédeas do jogo e o poder concentrado em suas mãos; tudo o que os seus possíveis aliados não querem. A política não é o terreno onde se cultiva amizades mas onde se plantam alianças para se colher benefícios; Serra não cultiva amizades, não planta alianças, o estranho é entender como chegou a ser o líder da oposição – o que só é possível num partido de caciques. Se o jogo eleitoral está aberto, para a oposição ele é carta para uma outra jogada, seu caminho mais provável seria o da disputa pela prefeitura de São Paulo, onde ainda até poderia entrar como franco favorito – apesar da alta taxa de rejeição e independentemente de quem venha a ser seus adversários, ocorre que uma possível derrota seria o fim triste e melancólico de uma carreira política com ilhas de vitórias cercadas de derrotas por todos os lados e a vitória não seria mais que um prêmio de consolação para quem sonhou a vida inteira em chegar a presidência e mais uma vez teria que assistir a campanha pela televisão, forçadamente vendo sua derrota por WO.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Diploma falso
Diploma falso
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‘É de se perguntar se havia doutores diplomados no alvorecer de Bolonha, Oxford, Harvard e Coimbra’. Com argumentos como esse o senador paranaense Álvaro Dias, do PSDB, se posicionou a favor do projeto de lei que tramita no senado para livrar as universidades da obrigação de contratação de professores com títulos de mestre e doutor. O senador não é exatamente uma besta, ele sabe que não se pode comparar o papel que cabe à universidade no mundo atual com aquele que ela tinha séculos atrás. Bolonha foi criada em 1088, Oxford entre 998 e 1096 e Coimbra em 1290, Harvard a mais jovem delas é de 1636, são anteriores a formação do Brasil, nasceram em épocas em que o sistema universitário era muito diferente na forma, no conteúdo e no papel social que deve desempenhar. A universidade atual é um lócus privilegiado para a construção e difusão de saberes fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Dias deve saber disso, mas é a consciência que parece lhe guiar, são interesses. O sistema nacional de ensino superior está distante dos padrões internacionais e as universidades privadas, as grandes beneficiárias, tem no geral baixíssima qualidade; o projeto pretende reduzir custo, aumentar lucros, e elevar a produtividade das nossas maravilhosas fábricas de diplomas.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Os tucanos e os muros
Os tucanos e os muros
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Dois fatos recentes marcaram a oposição tucana nos últimos meses: o primeiro discurso de Aécio neves no Senado e o artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado na revista Interesse Nacional. O ex-governador mineiro deveria lançar as bases da oposição ao governo Dilma, não conseguiu ir longe e ficou muito distante do que se espera de um líder oposicionista; com seu ar de bom moço Aécio não empolga e no seu medo de não se comprometer não fala nada de novo, não vai além do óbvio e não diz a que veio. Fernando Henrique, ao contrário, parece ter perdido o medo de falar o que pensa, sabe que não voltará a disputar os votos dos eleitores e sabe que não deve nada aos companheiros de partido que lhe abandonaram; ainda assim é, hoje, quem na oposição parece ter algo a dizer. Segundo o ex-presidente, os tucanos devem deixar de disputar o povão com os petistas e se dedicar às classes médias. Sua análise é sensata e lógica, os mais pobres estão sim com o PT mas o que importa é que a nova classe C, a nova classe média, é quem vai decidir as próximas eleições e a questão a se saber é o quanto essa parcela da população vai atribuir sua ascensão às políticas petistas e por qual discurso ela se deixará seduzir.
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segunda-feira, 9 de maio de 2011
Com a faca e o queijo na mão
Com a faca e o queijo na mão
A menos que ocorra uma hecatombe ou uma tragédia de proporções apocalípticas, Dilma Roussef deve ser eleita a primeira presidente do país. Pelo menos um ano atrás já se discutia que isso seria quase o mais provável: ela teria o queijo e a faca na mão, só não ganharia se fizesse muito esforço para isso. A equação é muito mais simples do que qualquer previsão de mãe de santo: o governo Lula tem tachas de aprovação extraordinárias, apenas cerca de cinco por cento do eleitorado percebe seu governo como ruim ou péssimo; o atual presidente é o político mais carismático da história recente e, mais que isso, é talvez o maior mito vivo de que se tem notícia na América do Sul – Maradona talvez seja seu único concorrente. Soma-se a isso o fato de não ter havido, efetivamente, oposição ao governo nos dois últimos mandatos e a vantagem de ele ter sido antecedido por um governo que terminou em crises, inclusive de popularidade. Lula poderia eleger um fusca amarelo? Não se pode duvidar! O certo é que Dilma e o PT só poderia m perder para eles mesmos e todas as canalhices, abusos e bobagens dos petistas parecem ser ainda insuficientes para isso.



