Estão todos ali, perfilados, imóveis, esperando um gesto, um toque, um pouco
de atenção. Concentrados em seus campos, cada um deles com seu número, lugar
determinado e marcas de carimbo, cada um com sua ficha através das quais eles
podem ser encontrados, ordenados e rotulados. Nos seus corpos uma história,
talvez uma vida. São centenas, milhares, quase empilhados, todos em silêncio
sepulcral mas vivos e prontos para nos mostrar um mundo. Um ao lado do outro,
estão ali desejando um toque, uma escolha, um chamado, como as moças que no
salão de baile esperavam um convite para uma dança. Eles te olham como quem,
cheio de más intenções, pudessem dizer: me leve para sua casa, me tenha em suas
mãos, me guarde em sua mente, me deixe te dar prazer, me deixe fazer parte da
sua vida. São livros, presos em bibliotecas como crianças depositadas em
orfanatos, não desejam muito, querem apenas um pouco de atenção, um olhar, uma
mão estendida, desejam ser percebidos, querem que cada um de nós, humanos,
possa reconhecer que eles têm vida em suas páginas e que elas podem de algum
modo nos ser úteis. Em cada palavra e cada verbo há uma pulsação, em cada frase
de cada capítulo um amontoado de sentidos e sentimentos. Não há crueldade mais
vil que a do canalha que não se comove com a solidão de um livro abandonado,
esquecido em estantes frias de corredores vazio ou da indiferença em relação às
angustias daqueles que não aceitam ser somente um número, dos que não desejam
ter um preço, dos que não querem ser mercadoria. Continue lendo
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terça-feira, 7 de junho de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
O sorriso das hienas
O sorriso das hienas
Adeus revolução, adeus minha ilusão! Como descontente e insatisfeito, sempre imaginei que as pessoas desejavam viver em um outro mundo e que a vida cotidiana do trabalhador assalariado seria um fardo indesejado, pensava que aquelas pessoas com quem eu trombava nos ônibus e trens lotados estariam descontentes com suas rotinas, seus empregos e salários, com os serviços públicos e com o governo. Estava errado, assim como meu tio Marx! Os trabalhadores do mundo estão unidos em satisfação e meus companheiros de lotação só não sorriem mais por falta de dentes. Pesquisa realizada com mais de 9 mil trabalhadores de 16 países mostra que imensa maioria das pessoas sentem prazer em ir trabalhar, em 15 desses países o índice supera 80% e chega a 96% no topo da lista. Entre outras coisas, os trabalhadores estão satisfeitos com o tipo de trabalho, com a quantidade de horas, a estabilidade, a relação com seus chefes e a remuneração. E adivinha quem é o mais satisfeito? É nóis! Comparativamente, os brasileiros ganham menos que os europeus, americanos e japoneses, geralmente trabalham mais, vivem menos e em condições materiais inferiores, entretanto mais satisfeito. Não é surpresa, uma outra pesquisa, essa realizada com cerca de 200 mil pessoas em 158 países, mostra que o Brasil é também campeão em felicidade. Continue lendo
Amor de infância
Amor de infância
Tive um grande amor aos doze anos, se chamada Tetéia. Sei que nessa idade todos nós temos desses amores estranhos, inexplicáveis e impossíveis, sei que fui só mais um, mas também sei que a frieza estatística é sempre inútil para explicar o que cada um de nós pode sentir e levar no coração. Foi dessas paixões que ardem em chamas e incendeiam o sangue, das que não morrem e se eternizam em lembranças vivas. Lembro e vivo na memória o seu cheiro, o brilho dos seus olhos, a sua boca; sua extraordinária boca! A cada passo seu eu suspirava, desejando transformar o etéreoem eterno. Amor não
correspondido, ela nunca me deu bola, eu era só mais um entre centenas de fãs
que a visitavam todos as semanas. Durante meses cabulei aulas de matemática,
história e ciências para atravessar a cidade e vê-la nadar... ou comer capim. Com
mais de três metros e quase quatro toneladas, de pura formosura, Tetéia era
doce e bela como só a mais encantadora hipopótamo poderia ser. Era a
rainha-deusa do zoológico e era mais, era sonho. Nosso maior poeta diria que era
luz, raio, estrela e luar! Mas como as manhãs de Sol, depois delas vieram
outras, paixões humanas e não humanas. Passei a visitar outros parques, por
anos não a vi a não ser em
sonhos. Continue lendo...
Tive um grande amor aos doze anos, se chamada Tetéia. Sei que nessa idade todos nós temos desses amores estranhos, inexplicáveis e impossíveis, sei que fui só mais um, mas também sei que a frieza estatística é sempre inútil para explicar o que cada um de nós pode sentir e levar no coração. Foi dessas paixões que ardem em chamas e incendeiam o sangue, das que não morrem e se eternizam em lembranças vivas. Lembro e vivo na memória o seu cheiro, o brilho dos seus olhos, a sua boca; sua extraordinária boca! A cada passo seu eu suspirava, desejando transformar o etéreo
terça-feira, 21 de maio de 2013
Palavra da salvação
Palavra da salvação
Os evangélicos têm razão em uma coisa: é necessário pregar a palavra. A palavra transforma vidas. Transformou a minha! Era ainda moleque, estava na quinta ou sexta série quando aconteceu. O fato é que quando eu voltei do recreio meu caderno estava aberto sobre a carteira e em letras garrafais lá estava a palavra: cínico! Eu era um cínico! Ou pelo menos era assim que alguém me enxergava naquela sala de aula. Sempre desconfiei de uma certa menina de quem hoje só lembro duas coisas: era gordinha e se chamava Célia; mas isso não é relevante. Importa que a tal palavra mudou minha vida, até aquele momento eu não era nada ou pelo menos não sabia quem eu era, eu não tinha identidade, não tinha uma qualificação... Era um sujeito sem predicado e sem adjetivo. Hoje eu poderia ser um desses sujeitos que vagam pelo mundo buscando um sentido para a sua existência. Mas daquele dia em diante passei a me ver com outros olhos, eu era alguém, eu tinha um atributo e uma qualidade: eu era um cínico! Eu podia abrir o dicionário e me encontrar numa palavra, do mesmo modo que eu podia abrir a enciclopédia e encontrar Jesus. Para um moleque de uns doze ou treze anos, ser cínico só poderia ser uma glória, afinal eu tinha um adjetivo sofisticado, imponente e, acima de tudo, um adjetivo com a força dos proparoxítonos. Tomei gosto, fui crescendo e incorporando novos atributos e novos predicados, todos proparoxítonos: crápula, hipócrita, sarcástico, sórdido, pérfido, estúpido, sádico, mórbido, lúgubre... Talvez pela influência dos proparoxítonos tenha me tornado também cético e politólogo. Veja a beleza e a sutileza da vida: sem querer, a menina que escreveu no meu caderno descobriu minha essência e mudou minha história, me transformou em alguém, me deu uma imagem, uma cara e uma personalidade bem resolvida. Um dia, se eu aprender a orar, talvez dê graças a ela; por nunca ter necessitado procurar um analista!
Os evangélicos têm razão em uma coisa: é necessário pregar a palavra. A palavra transforma vidas. Transformou a minha! Era ainda moleque, estava na quinta ou sexta série quando aconteceu. O fato é que quando eu voltei do recreio meu caderno estava aberto sobre a carteira e em letras garrafais lá estava a palavra: cínico! Eu era um cínico! Ou pelo menos era assim que alguém me enxergava naquela sala de aula. Sempre desconfiei de uma certa menina de quem hoje só lembro duas coisas: era gordinha e se chamava Célia; mas isso não é relevante. Importa que a tal palavra mudou minha vida, até aquele momento eu não era nada ou pelo menos não sabia quem eu era, eu não tinha identidade, não tinha uma qualificação... Era um sujeito sem predicado e sem adjetivo. Hoje eu poderia ser um desses sujeitos que vagam pelo mundo buscando um sentido para a sua existência. Mas daquele dia em diante passei a me ver com outros olhos, eu era alguém, eu tinha um atributo e uma qualidade: eu era um cínico! Eu podia abrir o dicionário e me encontrar numa palavra, do mesmo modo que eu podia abrir a enciclopédia e encontrar Jesus. Para um moleque de uns doze ou treze anos, ser cínico só poderia ser uma glória, afinal eu tinha um adjetivo sofisticado, imponente e, acima de tudo, um adjetivo com a força dos proparoxítonos. Tomei gosto, fui crescendo e incorporando novos atributos e novos predicados, todos proparoxítonos: crápula, hipócrita, sarcástico, sórdido, pérfido, estúpido, sádico, mórbido, lúgubre... Talvez pela influência dos proparoxítonos tenha me tornado também cético e politólogo. Veja a beleza e a sutileza da vida: sem querer, a menina que escreveu no meu caderno descobriu minha essência e mudou minha história, me transformou em alguém, me deu uma imagem, uma cara e uma personalidade bem resolvida. Um dia, se eu aprender a orar, talvez dê graças a ela; por nunca ter necessitado procurar um analista!
terça-feira, 7 de maio de 2013
O suicídio e a vida
O suicídio e a vida
Jéssica decidiu morrer; para ser
mais exato decidiu desistir da vida. Vítima de transtornos alimentares desde a
infância, anoréxica em situação de magreza extrema, a mais de um ano ela não
come alimentos sólidos esperando se livrar das dores que lhe atormentam o corpo
e a alma. Hoje, aos 32 anos, ela vive em estado deplorável e certamente já não
lembre aquela moça inteligente e simpática que estudou medicina por acreditar
na vida quando ainda conseguia não apenas sorrir com seus prazeres mas também
lutar para que outros sofressem menos. Pouco mais de três décadas foram o
bastante para acumular problemas, sofrimentos e angústias suficientes para que
simplesmente decidisse escolher ou aceitar a morte, seu último ou único desejo.
Poderia como outros ter escolhido a hora e local, poderia ter se jogado da
ponte, tomado veneno, escolhido a arma e a munição, mas escolheu a morte lenta,
decidiu apenas se entregar, se deixar tomar. Por amor e piedade seus pais e
amigos entenderam e respeitaram essa vontade e tudo chegaria ao fim dignamente
não fosse uma decisão judicial. Jéssica, que na verdade não tem esse nome, não
poderá levar a cabo seu último ou único desejo, deverá ser obrigada a se
alimentar por ordem da justiça; seu destino foi decidido num tribunal, na
cabeça de um juiz, um representante do Estado que não viveu sua vida, não
sentiu suas dores nem partilhou suas angústias ou sofrimentos. Continue lendo
terça-feira, 23 de abril de 2013
Politicamente imbecil
Politicamente imbecil
Aquilo que nos faz rir mostra um pouco do que nós somos. Há quem ache graça em piadinhas preconceituosas sobre negros, gordos, gays, judeus e deficientes assim como quem ache divertido falar daquilo que afeta a outros: racismo, fome, estupros ou genocídios, portanto, não se deve estranhar o fato de termos humoristas e espetáculos que se especializam nisso; há quem goste. Atirar para todos os lados parece ter se tornado algo legal, atitude de pessoas descoladas que não se importam com o suposto patrulhamento politicamente correto e de corajosos que tocam em feridas não cicatrizadas. Será mesmo? Não há novidade nesse humor ou nessas piadas, se alguém acha engraçado comparar negros com macacos ou pensar que mulher feia deveria agradecer por ser estuprada talvez seja mesmo um problema dela, mas não há nada de moderninho nisso, são os velhos preconceitos de sempre e as mesmas brincadeirinhas que deixam transparecer o modo como nossa sociedade discrimina as pessoas: mulheres são burras, gays são promíscuos, judeus são avarentos, nordestinos são ignorantes, pobres são sujos, idosos são dementes... O velho novo humor reforça estereótipos e comportamentos atrasados escondendo-os sob o moderninho rótulo de politicamente incorreto. Sim, devemos testar limites, sugiro um novo stand up: já as piadas são as mesmas e que o público desse humor é em sua maioria branca e de classe média que tal contar piadinhas sobre seus hábitos patéticos, sua falta de inteligência e suas crenças ridículas para sentir o quanto eles acham graça de si mesmos? Sim podemos fazer humor com ou sobre pobres, negros ou quem quer que seja, qualquer situação da vida pode ser motivo para o riso e o riso pode tornar nossas vidas mais leves, que fique claro: esse não é problema, este se encontra no uso de piadinhas insossas para reforçar nossos preconceitos mais profundos ou para aliviar o peso das nossas discriminações. Sou daqueles que perdem o amigo mas não perdem a piada, sou contra qualquer censura mas não deixo de achar estranha uma sociedade que deseja ver crianças combatendo o bullying nas escolas enquanto continua achando graça ao ver gordos serem chamados de baleias, magrelos de aidéticos, negros de macacos e nordestinos de jumento. Talvez o palco e vida não sejam coisas tão distantes assim.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Culto à futilidade
Culto à futilidade
Qual o foi a última vez que você abriu a boca para falar algo que não fosse futilidade? Levando em conta que o cérebro humano, com dezenas de bilhões de neurônios interligados por outras dezenas de trilhões de sinapses, é a estrutura conhecida mais complexa do universo, é surpreendente a nossa capacidade de agirmos como idiotas a maior parte do tempo. Não é simples definir com exatidão o que é fútil ou irrelevante, o contexto ou a ocasião importam, mas isso é irrelevante, o que conta é o nosso ato voluntário de tentar viver num mundo infantil o tempo todo e de nos esquivarmos dos assuntos sérios e das questões espinhosas e o nosso medo de encaramos de frente as ideias que nos são contrárias. Braima foi meu aluno e professor, um sujeito raro, muçulmano nascido na Guiné Bissau ele vive no Brasil a poucos anos; talvez sem perceber, tinha o olhar estrangeiro que permite ver aquilo que já não conseguimos enxergar por nos ter se tornado óbvio, o olhar que o permite perguntar aquilo que nós não nos perguntamos: por que os brasileiros não conversam sobre coisas sérias e relevantes? No papel de professor nunca lhe dei uma resposta minimamente convincente, mas descobri na pergunta que o mestre da situação era ele, aquele que pôs a perturbadora questão a ser pensada. Obvio, como sempre, não tenho respostas mas devo ter passado mais que sete minutos especulando. Tenho dois palpites: somos umas bestas e queremos parecer legais. Continue lendo:
Qual o foi a última vez que você abriu a boca para falar algo que não fosse futilidade? Levando em conta que o cérebro humano, com dezenas de bilhões de neurônios interligados por outras dezenas de trilhões de sinapses, é a estrutura conhecida mais complexa do universo, é surpreendente a nossa capacidade de agirmos como idiotas a maior parte do tempo. Não é simples definir com exatidão o que é fútil ou irrelevante, o contexto ou a ocasião importam, mas isso é irrelevante, o que conta é o nosso ato voluntário de tentar viver num mundo infantil o tempo todo e de nos esquivarmos dos assuntos sérios e das questões espinhosas e o nosso medo de encaramos de frente as ideias que nos são contrárias. Braima foi meu aluno e professor, um sujeito raro, muçulmano nascido na Guiné Bissau ele vive no Brasil a poucos anos; talvez sem perceber, tinha o olhar estrangeiro que permite ver aquilo que já não conseguimos enxergar por nos ter se tornado óbvio, o olhar que o permite perguntar aquilo que nós não nos perguntamos: por que os brasileiros não conversam sobre coisas sérias e relevantes? No papel de professor nunca lhe dei uma resposta minimamente convincente, mas descobri na pergunta que o mestre da situação era ele, aquele que pôs a perturbadora questão a ser pensada. Obvio, como sempre, não tenho respostas mas devo ter passado mais que sete minutos especulando. Tenho dois palpites: somos umas bestas e queremos parecer legais. Continue lendo:
terça-feira, 19 de março de 2013
Nem anjos nem demônios
Nem anjos nem demônios
The Better Angels of Our Nature, último livro de
Steven Pinker é uma obra interessante; menos pelas suas conclusões que pelo
enorme conjunto dados que apresenta. A obra analisa algumas das diversas
formas de violência utilizadas pelos homens ao longo da história para
mostrar como a humanidade nunca foi tão pacífica quanto é hoje. Psicólogo e
lingüista polêmico, professor de Harvard e pop star da ciência, Pinker passou
décadas se esforçando para mostrar evidências de algo que as ciências humanas
tem se empenhado para provar que não existe: uma natureza humana independente
das culturas e capaz de determinar boa parte do comportamento humano (ideia
presente na teoria política clássica em autores como Maquiavel, Hobbes e Rousseau).
Não é exatamente o que fez dessa vez; ao mostrar que no século XXI temos menos
guerras, genocídios, assassinatos, torturas e agressões físicas que em qualquer
outro período da humanidade (inclusive quando comparamos as sociedades atuais
com sociedades da antiguidade clássica e a povos indígenas) ele acaba por
evidenciar tanto o papel das instituições quanto das ideias – sobretudo
políticas! Segundo ele, por exemplo, na Idade Média o número de homicídios na
Europa era mais de trinta vezes maior que o de hoje naquele período um em cada
quatro nobres ingleses morria de forma violenta, considerando que as doenças
eram muito mais letais, o número impressiona. Estranhamente, a tese dá
sustentação às ideias de pensadores políticos como Maquiavel e Hobbes, que
acreditavam que a centralização do poder, o fortalecimento do Estado e de suas
forças repressivas poderiam aumentar o grau de segurança e paz ainda que a
natureza humana fosse imutável, mas também aos iluministas, à defesa da
racionalidade como parâmetro para resolução de conflitos, à prerrogativa de
árbitros neutros, controle dos instintos, o sentido moral e a empatia enquanto
vinculação do caráter humano à defesa dos mais fracos.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Milionário e José Rico
Milionário e José Rico
Brasileiro odeia pobre e ama a
riqueza; os mais pobres não são vistos como pessoas iguais em caráter e em
direitos e, paradoxalmente, os ricos, mesmo invejados, estão sempre sob
suspeita quanto à origem da sua riqueza! Assim como os americanos do norte,
vivemos a ilusão de que o pobre é responsável pela situação em que vive, nosso
pensamento individualista tosco coloca na testa de cada um deles a marca do
fracassado e o estigma do incapaz enquanto ao rico a cabe a pecha da
desonestidade; essa como uma falha suavizada, não como uma falta do caráter mas
quase como um destino que lhe permite uma mistura de esperteza e oportunidade.
Por essas terras é mais vergonhoso ser pobre honesto que ser rico a base de
falcatruas, afinal o importante é levar vantagem sempre, certo? Nesse mundo parece
não haver espaço para luta de classes. A velha classe média e a nova classe C
se incomodam com os programas assistenciais do governo que não lhes beneficiam,
não querem pagar pelo Bolsa Família ou pelo bolsa qualquer coisa e se
esperneiam ao dizer que esses programas só servem para sustentar vagabundos e
seus vícios. Não pensam assim por serem liberais mas por preconceito e
desconhecimento. No Brasil são os mais pobres que, proporcionalmente, pagam
mais impostos e o governo age como um Hobin Hood às avessas, distribuindo aos
ricos o que tirou da maioria. No último ano o orçamento da União mostra que
quase metade do que foi arrecadado serviu para o pagamento de dívidas,
geralmente com grandes bancos nacionais ou estrangeiros. Bilhões de reais em
juros de dívida mas também bilhões de reais em corrupção, de impostos que saem
do arroz e do feijão e vão parra em bancos suíços, é dinheiro fácil que circula
entre mãos de pessoas que não usam transporte público, que não trabalham 40
horas semanais, que não vivem de salários e que não chegam endividadas ao fim
de cada mês. Mas a riqueza tem brilho e a pobreza cheiro ruim e a sensibilidade
dos sentidos nos aproxima daquilo que desejamos ter e ser, danem-se os famintos.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Meus dois talentos
Meus dois talentos
Não sou dessas pessoas que assistem diversas vezes a um mesmo filme, na maioria das vezes tenho dificuldade para me concentrar o suficiente para chegar ao final de um filme médio. Foi por motivos profissionais que assisti Preciosa: uma história de esperança por mais de meia dúzia de vezes e por conta disso tenho na cabeça algumas de suas cenas; lembro a voz da professora perguntando a suas alunas: o que você faz bem? Todo mundo é bom em alguma coisa. Sim, desde que crianças tentamos ser bons em algumas coisas e, por vezes, desejamos descobrir que somos ou poderemos ser bons em algo. Tenho dois talentos: titubeio e procrastino, sou bom nisso, bom titubeante e procrastinador. Sei que em geral as pessoas não vêem isso como qualidade, o que, em minha defesa, tenho que contestar: titubeia aquele que carrega mais dúvidas que certeza e, como é de conhecimento geral, isso se não é virtude ao menos trouxe menos prejuízos para a história da humanidade do que do que homens com certezas. A certeza sim é um mal, Hitler e Pol Pot tinham as suas, todo fanático tem suas certezas e aqueles que querem impor suas verdades a outros jamais questionam, duvidam ou se sentem indecisos;esses também não costumam adiar seus atos. Sim, eu procrastino! Não apenas como conseqüência, óbvia, do titubear constante mas também como busca por auto-desenvolvimento ou complacência: demorar, deixar pra depois ou adiar é também uma busca por aperfeiçoamento: se acredito na minha evolução tenho necessariamente que acreditar que na próxima semana terei condições de fazer coisas melhores do que aquelas que faria hoje, por isso não deixo para amanhã o que posso fazer depois de amanhã. Essas qualidades extraordinárias que me colocam entre os melhores nessas artes me fizeram abandonar esse blog, com esse texto tentarei voltar a escrever, seja por teimosia ou pura falta de caráter!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
A miséria e a filosofia
A miséria e a filosofia
É provável que em nenhum outro lugar do mundo se
venda tantos livros de filosofia quanto no Brasil, é possível que a cada década
se venda por aqui mais livros de Kant ou Hegel que em toda a história da
Alemanha. Os grandes clássicos do pensamento ocidental podem ser encontrados em
cada esquina, nas livrarias de aeroportos e rodoviárias, nas lojas dos shopping
centers ou nas bancas de jornal. Todos citam, curtem e compartilham frases de
Nietzsche e Schopenhauer como quem canta e repete os refrões de um samba
enredo, nos enganando pensamos ser maquiavélicos e imaginamos sofrer com amores
platônicos. As frases soltas, desconexas e sem sentido infestam o ar exalando o perfume da tolice mal disfarçada. Esse país de filosofia parece não ser aquele mesmo em que um terço
dos universitários não consegue compreender os textos que leem ou o país que
tem um terço dos adultos em situação de analfabetismo funcional nem o país que
tem um dos piores sistemas educacionais do mundo. Mas é; e talvez esteja na
nossa ignorância a explicação para o nosso consumismo filosófico. Nós desejamos
consumir por status, para fingir ser o que não somos, para aparentar ter o que
não temos, assim como os miseráveis que desejam comprar produtos de grife e celulares de
última geração uma certa classe média quer consumir o que lhe dê uma aparência
culta, quando percebe a miséria do seu capital cultural ela consome marcas
filosóficas como se fossem etiquetas. Continue lendo:
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
A corda e o pescoço
A corda e o pescoço
Somos assim, na superfície tudo parece calmo, mas nas profundezas o inferno arde em chamas, pronto para explodir. Nos poços mais profundos da alma podemos perceber a engrenagem dessa máquina movida por desejos, instintos e interesses; é lá que poderemos encontrar o tênue equilíbrio entre o fogo que sustenta a vida e as chamas que nos levam à morte. Somos a espécie única de uma máquina capaz de autodestruir, apenas para nós o suicídio é uma possibilidade, como se a cada dia tivéssemos que nos responder a nós mesmos por que a vida vale a pena. Jacintha Saldanha resolveu morrer. Como tantas outras pessoas ao redor do mundo, num dia igual a qualquer outro dia decidiu dizer chega, saiu de casa, se despediu do marido e dos três filhos, escreveu três cartas de despedida foi para seu trabalho. Enfermeira, foi para o mesmo hospital onde cuidava da vida das pessoas e resolveu apelar para a tradição, amarrou uma corda no pescoço e se enforcou. Ninguém jamais poderá chegar às profundezas da sua alma, ninguém saberá seus motivos. Seria mais uma suicida, mais um número, faria parte das estatísticas, mas Jacintha havia se tornado conhecida três dias antes... Continue lendo:
Somos assim, na superfície tudo parece calmo, mas nas profundezas o inferno arde em chamas, pronto para explodir. Nos poços mais profundos da alma podemos perceber a engrenagem dessa máquina movida por desejos, instintos e interesses; é lá que poderemos encontrar o tênue equilíbrio entre o fogo que sustenta a vida e as chamas que nos levam à morte. Somos a espécie única de uma máquina capaz de autodestruir, apenas para nós o suicídio é uma possibilidade, como se a cada dia tivéssemos que nos responder a nós mesmos por que a vida vale a pena. Jacintha Saldanha resolveu morrer. Como tantas outras pessoas ao redor do mundo, num dia igual a qualquer outro dia decidiu dizer chega, saiu de casa, se despediu do marido e dos três filhos, escreveu três cartas de despedida foi para seu trabalho. Enfermeira, foi para o mesmo hospital onde cuidava da vida das pessoas e resolveu apelar para a tradição, amarrou uma corda no pescoço e se enforcou. Ninguém jamais poderá chegar às profundezas da sua alma, ninguém saberá seus motivos. Seria mais uma suicida, mais um número, faria parte das estatísticas, mas Jacintha havia se tornado conhecida três dias antes... Continue lendo:
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Indiferença criminosa
Indiferença criminosa
Nosso mundo é assim: algumas
pessoas não importam, outras simplesmente não se importam. O valor da vida é
proporcional à riqueza material e à conta bancária de cada um e quem determina
isso é a nossa pobre (di)visão dos homens, nossa cumplicidade e o nosso
silêncio, os que morreram ontem ou no mês passado, os que morrerão hoje ou
amanhã serão da nossa conta conforme o tamanho da conta que tinham no banco, a
cor da pele, o bairro onde moravam. Aqueles que morreram nas últimas semanas
não importavam, talvez já nem se lembre. A cena e o roteiro eram sempre os
mesmos: uma moto com dois homens encapuzados parando em frente a um grupo de
jovens, tiros, alguns baleados, uns mortos, outros feridos. Quantos morreram
assim ninguém vai saber, eram pobres e moravam na periferia. Os assassinos,
esses nunca serão conhecidos, nunca pisarão num tribunal, jamais serão julgados.
Desconfiamos de quem atirou, existem testemunhas, mas palavras de pobre ou de
preto também não contam. A polícia não
quer e não vai investigar e todas sabem o motivo. Quando os homens da lei
esquecem as regras e agem por conta própria, quando se tornam justiceiros
bancados com dinheiro público, quando formam esquadrões da morte e agem na
clandestinidade ou quando atiram e matam para espalhar o terror eles fazem isso
com a cumplicidade daqueles que não se importam e são esses os que importam,
são esses que garantirão o silêncio e a impunidade. Continue lendo:
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Ódio, cicatrizes da alma
Ódio, cicatrizes da alma
Eu vou para o inferno, eu sei. Serei condenado por não ser capaz de um perdão sincero. Minha sinceridade me condena, por isso não posso nem ser salvo e nem me dizer cristão, como, aliás, fazem os hipócritas. Não posso rezar palavras vazias como fazem aqueles que repetem a oração, não posso pedir para ‘Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Não, não perdoamos porra nenhuma! Quando Jesus quis ensinar os homens a rezar, talvez não tenha imaginado que para Deus essa frase pudesse ser dura de ouvir; sabe o Senhor que essas palavras, quase que invariavelmente, exalam o fétido odor da hipocrisia que domina as almas daqueles que por tradição ou falta de opção se dizem cristãos. Para a maioria dos homens, desejar que Deus dê o mesmo tipo de perdão a que alcança nossos corações é pedir por condenação. Sou um desses que até são capazes de acreditar em algum tipo de arrependimento, mas ainda assim não tenho a mínima capacidade de perdoar sinceramente, seja por inspiração demoníaca ou pura falta da divina graça, minha crença é a de que as feridas da alma não se curam e que mesmo quando já não causam as mesmas dores deixam as cicatrizes e que essas são apenas disfarces superficiais para talvez esconder as pequenas hemorragias internas que nos acompanharam até nossa última hora... continue lendo
Eu vou para o inferno, eu sei. Serei condenado por não ser capaz de um perdão sincero. Minha sinceridade me condena, por isso não posso nem ser salvo e nem me dizer cristão, como, aliás, fazem os hipócritas. Não posso rezar palavras vazias como fazem aqueles que repetem a oração, não posso pedir para ‘Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Não, não perdoamos porra nenhuma! Quando Jesus quis ensinar os homens a rezar, talvez não tenha imaginado que para Deus essa frase pudesse ser dura de ouvir; sabe o Senhor que essas palavras, quase que invariavelmente, exalam o fétido odor da hipocrisia que domina as almas daqueles que por tradição ou falta de opção se dizem cristãos. Para a maioria dos homens, desejar que Deus dê o mesmo tipo de perdão a que alcança nossos corações é pedir por condenação. Sou um desses que até são capazes de acreditar em algum tipo de arrependimento, mas ainda assim não tenho a mínima capacidade de perdoar sinceramente, seja por inspiração demoníaca ou pura falta da divina graça, minha crença é a de que as feridas da alma não se curam e que mesmo quando já não causam as mesmas dores deixam as cicatrizes e que essas são apenas disfarces superficiais para talvez esconder as pequenas hemorragias internas que nos acompanharam até nossa última hora... continue lendo
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Minha Boca e seus olhos
Minha Boca e seus olhos
Eu me recuso a assistir a certos filmes. Por pura arrogância. Acredito
que minha imaginação é muito mais genial do que as imagens que qualquer cineasta pode
colocar nas telas. Por isso não desejo assistir a versões de estórias
que estão construídas na minha cabeça, elas provavelmente destruiriam as
minhas construções mentais. Não quero ver imagens e personagens que
arduamente construí no meu mundinho imaginário ganharem aspecto de cidades
cenográficas e os mesmos rostos conhecidos de personagens de outros filmes, eu
não crio personagens com cara de ator. Por isso não pretendo assistir Boca, filme
baseado na vida de Hiroito Joanides, meu herói. Tentei, perdi uns dois ou três minutos,
assisti mais que o trailer, não me vale a pena. Quando, a dois anos, soube que
o filme seria feito escrevi: estou feliz e triste ao mesmo tempo, pelo mesmo
motivo, a figura mais extraordinária da vida paulistana vai parar no cinema. Agora
estão aí, o filme e o homem. Para quem não conhece, Hiroito foi entre as
décadas de 1950 e 60 o rei da Boca do Lixo, a nossa mais famosa zona de baixo
meretrício de São Paulo. Para mim, há uma década ele tem sido uma espécie de
companheiro invisível, um amigo constante, um sujeito que me influenciou o modo
de ver o homem e o mundo. Continue lendo
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Ídolos e heróis
Ídolos e heróis
Éramos crianças e escolhíamos os
nossos super-heróis favoritos, aqueles que detinham os poderes que gostaríamos
de ter. Desejávamos força e poderes extraordinários, capacidade de voar ou ficar
invisível, viajar no tempo ou se tornar gigante, talvez combater monstros, o
mal ou as injustiças do mundo. Sem perceber, crescemos, perdemos algumas ilusões, ganhamos
outras, mas em nós aquele herói continua vivo e preso, ele sobrevive em algum
lugar obscuro das nossas almas, talvez lutando contra as trevas que nos habitam.
Trocamos o sonho de poderes sobrenaturais pelo desejo de ter qualidades que
sabemos não possuir, mas que são acessíveis aos homens. Os heróis dão lugar aos
ídolos, os homens medíocres trocam seus heróis completos mas inatingíveis por
mortais que assim como nós são formados de carne, osso, estupidez e canalhice; mas
tanto uns quanto os outros continuam dizendo mais sobre cada um de nós do que gostaríamos
ou suportaríamos ouvir. Continue lendo
terça-feira, 21 de agosto de 2012
O cadáver cordial
O cadáver cordial
Nelson Rodrigues está completando um século, mais vivo do que nunca o
desgraçadinho. Cem anos despertando amores e ódios intensos e eternos. Parece
que hoje o respiramos em todos os ares, mas nos perfumes sublimes e não nos odores
mais fétidos. Desde o dia em que foi
descansar o corpo no Cemitério do Caju, o milagre se operou, aquele que era
odiado por todas as bandas passou a ser amado até pelos inimigos. Ah essa nossa
canalhice! Aquele que nunca foi complacente, que nunca poupou ninguém e que
atirava em todas as direções deve estar odiando saber que chega aos cem se
aproximando da unanimidade; poderia ser uma rara unanimidade, precisa,
inapelável e eterna como o Juízo Final, mas não, parece ser apenas mais uma unanimidade
burra; a burrice se aproximou dele para torná-lo unânime. Sinal dos tempos,
aquele que foi odiado, rejeitado e vaiado pela esquerda e pela direita, por
conservadores e liberais, por putas e freiras, agora parece ser o defunto de
casaca com cara de mordomo, querem deixá-lo livre das provocações e polêmicas,
querem matá-lo. O sujeito obsceno, machista, conservador, reacionário e
autoritário morreu para dar lugar a outro, o cara das frases feitas jogadas ao
vento, o cadáver tranquilo que já não provoca iras e rancor. Continue lendo
terça-feira, 17 de julho de 2012
Marcha soldado
Marcha soldado
A Marcha para Jesus não é para Jesus e pouco ou nada tem a ver com fé.
Para um cristão não há duvida: o cristo, assim como Deus, está em todos os
lugares e tudo vê, não há sentido teológico reunir dezenas ou centenas de
milhares de pessoas para manifestar uma crença que é essencialmente individual.
A Marcha é antes de tudo um ato político e como tal uma manifestação de poder,
e não há nada de errado nisso, os evangélicos com qualquer outro grupo social
tem o direito de se manifestar e defender suas ideias e interesses; mas, por
coerência, poderiam ser honestos e assumir o que estão fazendo e o que
efetivamente querem. Os soldados que marcham, os cabeças de papel, acreditam
que se marcharem direito ganharão o reino dos céus; mas os comandantes do
exército conhecem bem a guerra e as estratégias para vencê-la. Entre as igrejas
evangélicas podemos encontrar alguns dos grupos criminosos mais bem organizadas
do país, não é difícil encontrar alguma igreja importante que tenha
envolvimento com esquemas de lavagem de dinheiro ou sonegação fiscal,
enriquecimento ilícito, estelionato ou falsidade ideológica; é o caso da
Renascer, principal organizadora do evento, cujos líderes, bispa Sônia e
apóstolo Hernandes, foram presos nos Estados Unidos e respondem a diversos
processos na justiça brasileira. Continue lendo
terça-feira, 3 de julho de 2012
O fim de uma era
O fim de uma era
The Old Firm, é assim que se chama uma das mais importantes batalhas campais da história, o clássico escocês entre Celtic e Rangers, para muitos a maior rivalidade do futebol mundial. É mais que isso! Quem ainda acha que futebol é um apenas um esporte, dificilmente poderá entender o peso da batalha e a história que entra no gramado ou se instala nas arquibancadas a cada partida. No futebol a rivalidade começou no século XIX ,mas, como diria tio Nelson, o mais provável é que a disputa tenha começado quarenta minutos antes do nada. Nos estádios de Glasgow é comum se ouvir cantos que relembram batalhas ocorridas a mais de quatrocentos anos, como as que se referem ao massacre de católicos ocorrido durante a reforma protestante, e gritos que mostram uma Escócia dividida pela política e pela religião. O Celtic foi fundado dentro da pobre e católica comunidade irlandesa, daí o verde do uniforme e o trevo como símbolo, por oposição o Rangers se firmou como o time dos britânicos e protestantes e por quase de cem anos nenhum católico pôde jogar na equipe; ser torcedor do Celtic significa ser católico, ser contra o Reino Unido e contra a Rainha, significa fazer parte de uma minoria historicamente discriminada, oprimida e pobre, não por acaso o clube é amado também por irlandeses e ainda por grupos libertários e esquerdistas de toda a Europa. Continue lendo
terça-feira, 19 de junho de 2012
Bandidos e mocinhos
Bandidos e mocinhos
Quando crianças, aprendemos que o bem e o mau formam realidades distintas e antagônicas; em nossa infância o mundo se divide entre heróis e vilões, entre bandidos e mocinhos. Felizmente, quando crescemos tendemos a abandonar essa visão simplista e vemos que o mundo é mais complexo e que policiais e bandidos muitas vezes atuam juntos, de um mesmo lado. No post anterior disse que bandidos se escondem sob a farda de policiais, mas teve quem preferiu ler que eu teria dito que policiais são bandidos ou que eu fazia apologia ao crime; pode ser uma leitura equivocada, pode ser, então vou facilitar a leitura pois o que digo não é simples preconceito e o que exponho não são ideias que surgiram do nada. Desconfio sim da ação da polícia baiana na greve pois é a própria Secretaria de Segurança Pública quem põe policiais sob suspeita; quem acusa as milícias de praticarem matança é o setor de inteligência da Polícia Civil e quem diz com todas as letras que grupos paramilitares se aproveitaram da greve para matar quem estava incomodando foi o senhor Arthur Gallas, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa. Se existem críticas à atuação da polícia não é por maniqueísmo infantil, a violência policial não é criticada só por quem defende bandidos, mas por instituições importantes como a ONU e a Anistia Internacional que afirmam que a violência policial é um dos principais problemas de violação aos direitos humanos no Brasil; Continue lendo



















