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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vitória do terror

Vitória do terror
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Dez anos após os atentados de 11 de setembro o mundo ainda parece incapaz de entender o seu significado e dimensionar todas as suas conseqüências, ainda assim um fato parece gritar: não há nesse início de século qualquer homem que faça sombra em termos de importância a Osama Bin Laden, ninguém nesse período teve uma influência tão grande nos rumos do planeta quanto ele; o terrorismo venceu e o êxito da Al Qaeda foi provavelmente muito maior do eles mesmos imaginaram. Se o objetivo era espalhar o medo e o terror e com isso desestruturar a sociedade norte-americana o resultado não poderia ser melhor, em um único dia os terroristas conseguiram fazer estragos talvez maiores do que a União Soviética tenha conseguido em quatro décadas de Guerra Fria. Além de apresentar o terror aos ingênuos sobrinhos do Tio Sam, Bin Laden e seus homens contribuíram para colocar o país numa encruzilhada maniqueísta que pode levá-lo a um governo fundamentalista de direita; com a ajuda de George Bush e sua desastrada estratégia de guerra contra o terror, que consumiu mais de cinco trilhões de dólares, contribuíram decisivamente para a maior crise econômica em mais de meio século. A morte em combate só contribui para transformar o terrorista em mito, se de fato estiver no fundo do mar, o terrorista saudita deve ter muito o que comemorar pelo que conseguiu nessa última década, mas também deve agradecer e muito o apoio que teve da imprensa que contribuiu para transformar seus feitos em gigantescos espetáculos midiáticos e para transformá-lo em mito, deve agradecer ao governo Bush que fez de tudo para espalhar o medo pelo país, que inventou guerras funestas e ajudou a dividir o mundo alimentando novos inimigos por todos os seus cantos.
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Língua com farofa

Língua com farofa

Li semanas atrás uma entrevista com Gene Simmons, o linguarudo vocalista e baixista do Kiss. Como músico o sujeito é uma farsa inofensiva do mundo pop, mas seus comentários sobre política e economia podem merecer alguma atenção. Simmons é um pouco mais do que uma Carla Peres do rock farofa; sua enorme língua, entretanto, ajuda a articular frases que podem nos permitir alguma compreensão de um pouco do raciocínio de certa parcela do eleitorado americano. Duas coisas chamam atenção: primeiro o sujeito afirmar que iria votar em Obama pelo fato de ele ir atrás dos terroristas, segundo suas reflexões sobre economia. Como milhões de outros americanos, ele é um eleitor decepcionado com os rumos ’esquerdistas’ das políticas de Obama que resolveu rever suas posições após o assassinato de Bin Laden, nisso ele é claro ao defender que os Estados Unidos devem ‘pegar o bandido’ mesmo que para isso seja necessário violar as leis internacionais. Como analista econômico ele vai mais longe, defendendo que os sindicatos são um empecilho ao capitalismo – pois encarecem a mão-de-obra e os produtos – e se colocando contra os direitos à aposentadoria, férias e licença maternidade. Assim com boa parte dos republicanos, Simmons defende um Estado militar forte capaz de impor seus interesses nas questões externas e um Estado liberal fraco que não interfira na economia em questões internas. Paradoxalmente o exemplo que está na sua cabeça é a China, onde não por acaso a competitividade econômica é muito mais importante que a liberdade ou mesmo a vida de seus habitantes. Pois é, décadas atrás o Kiss foi visto como uma ameaça à conservadora sociedade americana, talvez tivessem razão, a julgar pelos seu vocalista devemos nos perguntar se não estamos diante de uma das bestas do apocalipse!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Portas fechadas

Portas fechadas

Anders Behring Breivik, tem 32 anos, é filho de diplomata, nasceu num dos países com melhor nível de vida do mundo, tímido e educado, cristão fervoroso, alto loiro, rico, ganhou seu primeiro milhão de dólares aos 24 anos. Anders Behring Breivik é o autor dos atos terroristas que mataram dezenas de pessoas na Noruega. Não vão faltar leigos e especialistas a dizer que o sujeito é um louco, nem aqueles que vão procurar justificativas em problemas mentais para o ato. Pode ser, mas não é o mais relevante, Anders é um homem racional que pratica ações baseadas em valores e esses valores é o que importa; suas idéias e seus ódios são compartilhados por milhões de europeus; o atirador matou em nome da fé cristã, das tradições nacionais e da pureza étnica, seus valores são os da extrema direita que admira Hitler e os regimes totalitários, que odeia imigrantes, sejam eles muçulmanos ou não. Mesmo agindo sozinho ele não estava só, Anders não saiu do nada, ele representa a extrema direita racista, xenófoba e intolerante que cresce em praticamente todos os países europeus, que ganha poder nas ruas e nos parlamentos e vem ganhando o establishment.