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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tentação e decepção

Tentação e decepção
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Escrevi aqui meses atrás que o Partido Verde efetivamente não existe para além da sua sigla, que é um partido que não tem um programa que vá muito além das questões ambientais mais rasas e óbvias. Disse que a Marina Silva, sua candidata à presidência, pela sua trajetória pessoal representava aquilo que o PV sempre quis ter e não tinha, uma cara popular que o desligasse da figura classe média aburguesada ou da persona de um Fernando Gabeira cada dia mais conservador e atucanado, mas que ela era essencialmente petista e só saiu do partido a muito custo, com a promessa de que teria a candidatura assegurada. A união foi um jogo de interesses que agora chega ao fim. Por trás da imagem de bonzinhos, os verdes formam apenas mais um partido fisiológico; seus membros querem poder, cargos e benefícios e para isso estão dispostos às mais variadas trocas de favores e Marina foi um empecilho nesse jogo, embora estivesse deslocada e perdida não podia dar um passo à esquerda ou à direita sem desagradar a alguém ou sem colocar em risco os interesses oportunistas da cúpula do partido. A esperança não venceu o medo e ela capitulou, teve que sair do partido para não sucumbir com ele, com isso perde o palanque mas ganha em discurso, se conseguir uma sigla que lhe dê suporte pode voltar com alguma força, se não conseguir pode perder os holofotes da mídia e continuar escrevendo e falando apenas para os seus, caso tenha realmente algo a dizer.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Com a faca e o queijo na mão

Com a faca e o queijo na mão
A menos que ocorra uma hecatombe ou uma tragédia de proporções apocalípticas, Dilma Roussef deve ser eleita a primeira presidente do país. Pelo menos um ano atrás já se discutia que isso seria quase o mais provável: ela teria o queijo e a faca na mão, só não ganharia se fizesse muito esforço para isso. A equação é muito mais simples do que qualquer previsão de mãe de santo: o governo Lula tem tachas de aprovação extraordinárias, apenas cerca de cinco por cento do eleitorado percebe seu governo como ruim ou péssimo; o atual presidente é o político mais carismático da história recente e, mais que isso, é talvez o maior mito vivo de que se tem notícia na América do Sul – Maradona talvez seja seu único concorrente. Soma-se a isso o fato de não ter havido, efetivamente, oposição ao governo nos dois últimos mandatos e a vantagem de ele ter sido antecedido por um governo que terminou em crises, inclusive de popularidade. Lula poderia eleger um fusca amarelo? Não se pode duvidar! O certo é que Dilma  e o  PT só poderia m perder para eles mesmos e todas as canalhices, abusos e bobagens dos petistas parecem ser ainda insuficientes para isso.