Eu vou para o inferno, eu sei. Serei condenado por não ser capaz de um perdão sincero. Minha sinceridade me condena, por isso não posso nem ser salvo e nem me dizer cristão, como, aliás, fazem os hipócritas. Não posso rezar palavras vazias como fazem aqueles que repetem a oração, não posso pedir para ‘Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Não, não perdoamos porra nenhuma! Quando Jesus quis ensinar os homens a rezar, talvez não tenha imaginado que para Deus essa frase pudesse ser dura de ouvir; sabe o Senhor que essas palavras, quase que invariavelmente, exalam o fétido odor da hipocrisia que domina as almas daqueles que por tradição ou falta de opção se dizem cristãos. Para a maioria dos homens, desejar que Deus dê o mesmo tipo de perdão a que alcança nossos corações é pedir por condenação. Sou um desses que até são capazes de acreditar em algum tipo de arrependimento, mas ainda assim não tenho a mínima capacidade de perdoar sinceramente, seja por inspiração demoníaca ou pura falta da divina graça, minha crença é a de que as feridas da alma não se curam e que mesmo quando já não causam as mesmas dores deixam as cicatrizes e que essas são apenas disfarces superficiais para talvez esconder as pequenas hemorragias internas que nos acompanharam até nossa última hora... continue lendo
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terça-feira, 23 de outubro de 2012
Ódio, cicatrizes da alma
Ódio, cicatrizes da alma
Eu vou para o inferno, eu sei. Serei condenado por não ser capaz de um perdão sincero. Minha sinceridade me condena, por isso não posso nem ser salvo e nem me dizer cristão, como, aliás, fazem os hipócritas. Não posso rezar palavras vazias como fazem aqueles que repetem a oração, não posso pedir para ‘Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Não, não perdoamos porra nenhuma! Quando Jesus quis ensinar os homens a rezar, talvez não tenha imaginado que para Deus essa frase pudesse ser dura de ouvir; sabe o Senhor que essas palavras, quase que invariavelmente, exalam o fétido odor da hipocrisia que domina as almas daqueles que por tradição ou falta de opção se dizem cristãos. Para a maioria dos homens, desejar que Deus dê o mesmo tipo de perdão a que alcança nossos corações é pedir por condenação. Sou um desses que até são capazes de acreditar em algum tipo de arrependimento, mas ainda assim não tenho a mínima capacidade de perdoar sinceramente, seja por inspiração demoníaca ou pura falta da divina graça, minha crença é a de que as feridas da alma não se curam e que mesmo quando já não causam as mesmas dores deixam as cicatrizes e que essas são apenas disfarces superficiais para talvez esconder as pequenas hemorragias internas que nos acompanharam até nossa última hora... continue lendo
Eu vou para o inferno, eu sei. Serei condenado por não ser capaz de um perdão sincero. Minha sinceridade me condena, por isso não posso nem ser salvo e nem me dizer cristão, como, aliás, fazem os hipócritas. Não posso rezar palavras vazias como fazem aqueles que repetem a oração, não posso pedir para ‘Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’. Não, não perdoamos porra nenhuma! Quando Jesus quis ensinar os homens a rezar, talvez não tenha imaginado que para Deus essa frase pudesse ser dura de ouvir; sabe o Senhor que essas palavras, quase que invariavelmente, exalam o fétido odor da hipocrisia que domina as almas daqueles que por tradição ou falta de opção se dizem cristãos. Para a maioria dos homens, desejar que Deus dê o mesmo tipo de perdão a que alcança nossos corações é pedir por condenação. Sou um desses que até são capazes de acreditar em algum tipo de arrependimento, mas ainda assim não tenho a mínima capacidade de perdoar sinceramente, seja por inspiração demoníaca ou pura falta da divina graça, minha crença é a de que as feridas da alma não se curam e que mesmo quando já não causam as mesmas dores deixam as cicatrizes e que essas são apenas disfarces superficiais para talvez esconder as pequenas hemorragias internas que nos acompanharam até nossa última hora... continue lendo
terça-feira, 17 de julho de 2012
Marcha soldado
Marcha soldado
A Marcha para Jesus não é para Jesus e pouco ou nada tem a ver com fé.
Para um cristão não há duvida: o cristo, assim como Deus, está em todos os
lugares e tudo vê, não há sentido teológico reunir dezenas ou centenas de
milhares de pessoas para manifestar uma crença que é essencialmente individual.
A Marcha é antes de tudo um ato político e como tal uma manifestação de poder,
e não há nada de errado nisso, os evangélicos com qualquer outro grupo social
tem o direito de se manifestar e defender suas ideias e interesses; mas, por
coerência, poderiam ser honestos e assumir o que estão fazendo e o que
efetivamente querem. Os soldados que marcham, os cabeças de papel, acreditam
que se marcharem direito ganharão o reino dos céus; mas os comandantes do
exército conhecem bem a guerra e as estratégias para vencê-la. Entre as igrejas
evangélicas podemos encontrar alguns dos grupos criminosos mais bem organizadas
do país, não é difícil encontrar alguma igreja importante que tenha
envolvimento com esquemas de lavagem de dinheiro ou sonegação fiscal,
enriquecimento ilícito, estelionato ou falsidade ideológica; é o caso da
Renascer, principal organizadora do evento, cujos líderes, bispa Sônia e
apóstolo Hernandes, foram presos nos Estados Unidos e respondem a diversos
processos na justiça brasileira. Continue lendo
terça-feira, 3 de julho de 2012
O fim de uma era
O fim de uma era
The Old Firm, é assim que se chama uma das mais importantes batalhas campais da história, o clássico escocês entre Celtic e Rangers, para muitos a maior rivalidade do futebol mundial. É mais que isso! Quem ainda acha que futebol é um apenas um esporte, dificilmente poderá entender o peso da batalha e a história que entra no gramado ou se instala nas arquibancadas a cada partida. No futebol a rivalidade começou no século XIX ,mas, como diria tio Nelson, o mais provável é que a disputa tenha começado quarenta minutos antes do nada. Nos estádios de Glasgow é comum se ouvir cantos que relembram batalhas ocorridas a mais de quatrocentos anos, como as que se referem ao massacre de católicos ocorrido durante a reforma protestante, e gritos que mostram uma Escócia dividida pela política e pela religião. O Celtic foi fundado dentro da pobre e católica comunidade irlandesa, daí o verde do uniforme e o trevo como símbolo, por oposição o Rangers se firmou como o time dos britânicos e protestantes e por quase de cem anos nenhum católico pôde jogar na equipe; ser torcedor do Celtic significa ser católico, ser contra o Reino Unido e contra a Rainha, significa fazer parte de uma minoria historicamente discriminada, oprimida e pobre, não por acaso o clube é amado também por irlandeses e ainda por grupos libertários e esquerdistas de toda a Europa. Continue lendo
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
De volta a Idade Média
De volta a Idade Média
Uma das características mais marcantes do período medieval é o controle de todas as esferas da vida pela Igreja. O poder eclesiástico dominava a vida coletiva, determinando o certo e o errado, o bom e o ruim, o justo e o injusto, o belo e o feio e tudo o mais que envolvesse ideias, crenças e comportamentos. Cinco séculos depois corremos perigo, há quem deseje a volta desse mundo! Não faltam grupos que querem impor suas verdades e dogmas religiosos para toda a sociedade, que querem dominar a vida coletiva a partir de crenças religiosas. A escolha do novo ministro da pesca indica apenas um aspecto desse perigo. Talvez seja muito afirmar que o Ministério da pesca não vale nada ou não serve para nada, mas de fato não tem nenhuma relevância política, ainda assim a escolha de Marcelo Crivella para assumir o seu comando revela algo para além do conhecido jogo de toma lá da cá que caracteriza a política nacional. Crivella fez-se ministro por seu currículo: cantor e bispo da Igreja Universal, sobrinho do poderoso Edir Macedo e líder do PRB, partido dominado pelos evangélicos da IURD. Os petistas sabem que ao lado dos bispos não estão em boa companhia, a Universal vive metida em escândalos, mas sabe que é melhor tê-los como amigos que como adversários. Sabe que Edir Macedo comanda um império que movimenta bilhões de dólares e possui um dos mais importantes conglomerados de mídia do país – com a Record como carro chefe; um poder que atrai e assusta. Essa não é a pior parte. A escolha do ministro em grande medida se deve à pressão de grupos evangélicos para que o governo se curve diante de seus interesses, dogmas e crenças. São dezenas de parlamentares que se indispõem com o executivo por serem contra importantes avanços no campo dos direitos individuais; a maioria dos líderes das mais importantes igrejas evangélicas querem um Estado teocrático que restrinja as liberdades individuais em nome de suas crenças e os principais partidos do país, tremendo de medo, se curvam como moleques no colégio interno. De fato o Brasil nunca conseguiu ter um Estado laico nem afastar a influência das religiões nos assuntos públicos e nem é o caso de se desejar que esses grupos não lutem pelo que creem e pelo que lhes possa interessar, mas é preciso que esses grupos deixem claro que desejam impor seus dogmas, que não desejam um Estado laico e que, caso a população queira se submeter a eles, o país caminhará a passos largos para voltar à Idade Média.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Deus e o Diabo nas urnas
Deus e o Diabo nas urnas
Neste mês de novembro um dos mais importantes partidos políticos do país completa cem anos: a igreja pentecostal Assembléia de Deus, o maior agrupamento evangélico pentecostal do país com cerca de 20 milhões de fiéis. Ao longo de um século a Assembléia cresceu, se organizando em diversos ministérios, e ganhou além de milhões de fiéis um enorme poder de influência sobre a vida pública nacional. Para além dos seus 23 deputados federais, a igreja abriga diversos outros políticos, lidera a Frente Parlamentar Evangélica da Câmara que agrega 63 parlamentares e tem se mobilizado para defender no pais algumas das mais importantes bandeiras conservadoras: a restrição de direitos para determinadas parcelas da sociedade, a intolerância contra homossexuais, a inferioridade da mulher na vida pública e a submissão da vida política aos valores religiosos. Nas últimas eleições presidenciais a Assembléia elegeu 73% dos seus candidatos ao Congresso, apoiou e se engajou na campanha de José Serra – que teve no pastor Silas Malafaia um de seus homens mais importantes e entusiastas – guiando seu rebanho de cabos eleitorais contra o ‘perigo comunista’ Dilma. Nenhum político pode desprezar uma organização que conta com mais de 10% da população do país, nenhuma Igreja quer se distanciar dos homens que podem lhe garantir privilégios e poder de influência; no culto em comemoração ao centenário estavam o prefeito Kassab, o governador Alckmin e o ministro Secretária Geral da presidência, talvez não exatamente por uma questão de fé.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Portas fechadas
Portas fechadas
Anders Behring Breivik, tem 32 anos, é filho de diplomata, nasceu num dos países com melhor nível de vida do mundo, tímido e educado, cristão fervoroso, alto loiro, rico, ganhou seu primeiro milhão de dólares aos 24 anos. Anders Behring Breivik é o autor dos atos terroristas que mataram dezenas de pessoas na Noruega. Não vão faltar leigos e especialistas a dizer que o sujeito é um louco, nem aqueles que vão procurar justificativas em problemas mentais para o ato. Pode ser, mas não é o mais relevante, Anders é um homem racional que pratica ações baseadas em valores e esses valores é o que importa; suas idéias e seus ódios são compartilhados por milhões de europeus; o atirador matou em nome da fé cristã, das tradições nacionais e da pureza étnica, seus valores são os da extrema direita que admira Hitler e os regimes totalitários, que odeia imigrantes, sejam eles muçulmanos ou não. Mesmo agindo sozinho ele não estava só, Anders não saiu do nada, ele representa a extrema direita racista, xenófoba e intolerante que cresce em praticamente todos os países europeus, que ganha poder nas ruas e nos parlamentos e vem ganhando o establishment.





