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terça-feira, 30 de outubro de 2012

O inferno dos jornais

O inferno dos jornais

O jornalismo brasileiro se sustenta sobre dois pilares: a hipocrisia e a estupidez. É hipócrita porque finge e alardeia ter virtudes que efetivamente não tem e é estúpido porque imagina ter qualidades que não possui e por esse erro respira o ar da superioridade. Nessas bandas, como no geral em toda a América Latina, a grande imprensa nunca foi democrática e apenas raramente esteve ao lado dos interesses do povo, ou pelo menos do povo mais pobre. Não é difícil entender os motivos: dominado por grandes grupos econômicos e muitas vezes atrelado a oligarquias políticas, o grosso da mídia é submisso e subserviente aos poderosos de plantão, que os banca e sustenta. Os grupos que dominam a imprensa não desejam a democratização da informação e são contrários às transformações e aos movimentos sociais que a reivindica, primeiro porque temem perder o poder, segundo porque são beneficiários dessa estrutura. Qualquer estudante de oitava série sabe que não há imprensa imparcial e se souber um pouco de história saberá também que os principais veículos de comunicação pediram, apoiaram e sustentaram a ditadura militar e os mais obtusos grupos da nossa elite conservadora e autoritária... continue lendo:

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um pedido de desculpas

Um pedido de desculpas

Noventa e sete mortes. Vinte e três anos. Uma verdade escondida e uma mentira oficial. Várias doses de ignorância, pitadas de poder e manipulação a gosto. Junte esses ingredientes e você tem um rico material para pensar as relações espúrias entre a mídia, o governo e os poderes do Estado. Dia 15 de abril de 1989, os times do Liverpool e do Nottinghan Forest disputariam a final da Copa da Inglaterra. Quando o jogo começa centenas de torcedores estavam fora do estádio impedidos de entrar mesmo com ingressos nas mãos, é quando policiais resolvem abrir os portões iniciando um tumulto, aqueles que estavam à frente passam a ser empurrados contra as grades; como resultado, duas mil pessoas esmagadas e 96 mortos. A maior tragédia da história do futebol europeu nasce de uma série de erros, com um mínimo de organização não haveria mortos ou feridos. A polícia impediu os torcedores de tentar escapar em direção ao campo e depois ainda condenando-os à morte. Muitos deles não foram socorridos, o que poderia lhes garantir a vida. É quando começam as mentiras, a polícia britânica culpou os torcedores do Livepool, adulterou depoimentos, forjou situações e buscou transformar as vítimas em culpados lhes imputando históricos de brigas, crimes e envolvimento com álcool ou drogas. O governo inglês permitiu que as provas fossem alteradas para redimir a culpa do poder público e evitar desgastes. Continue lendo: