O jornalismo brasileiro se
sustenta sobre dois pilares: a hipocrisia e a estupidez. É hipócrita porque
finge e alardeia ter virtudes que efetivamente não tem e é estúpido porque
imagina ter qualidades que não possui e por esse erro respira o ar da
superioridade. Nessas bandas, como no geral em toda a América Latina, a grande
imprensa nunca foi democrática e apenas raramente esteve ao lado dos interesses
do povo, ou pelo menos do povo mais pobre. Não é difícil entender os motivos:
dominado por grandes grupos econômicos e muitas vezes atrelado a oligarquias
políticas, o grosso da mídia é submisso e subserviente aos poderosos de
plantão, que os banca e sustenta. Os grupos que dominam a imprensa não desejam
a democratização da informação e são contrários às transformações e aos
movimentos sociais que a reivindica, primeiro porque temem perder o poder,
segundo porque são beneficiários dessa estrutura. Qualquer estudante de oitava
série sabe que não há imprensa imparcial e se souber um pouco de história
saberá também que os principais veículos de comunicação pediram, apoiaram e
sustentaram a ditadura militar e os mais obtusos grupos da nossa elite
conservadora e autoritária... continue lendo:
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Um pedido de desculpas
Um pedido de
desculpas
Noventa e sete mortes. Vinte e três anos. Uma verdade escondida e uma
mentira oficial. Várias doses de ignorância, pitadas de poder e manipulação a
gosto. Junte esses ingredientes e você tem um rico material para pensar as
relações espúrias entre a mídia, o governo e os poderes do Estado. Dia 15 de
abril de 1989, os times do Liverpool e do Nottinghan Forest disputariam a final
da Copa da Inglaterra. Quando o jogo começa centenas de torcedores estavam fora
do estádio impedidos de entrar mesmo com ingressos nas mãos, é quando policiais
resolvem abrir os portões iniciando um tumulto, aqueles que estavam à frente
passam a ser empurrados contra as grades; como resultado, duas mil pessoas esmagadas
e 96 mortos. A maior tragédia da história do futebol europeu nasce de uma série
de erros, com um mínimo de organização não haveria mortos ou feridos. A polícia
impediu os torcedores de tentar escapar em direção ao campo e depois ainda condenando-os
à morte. Muitos deles não foram socorridos, o que poderia lhes garantir a vida.
É quando começam as mentiras, a polícia britânica culpou os torcedores do
Livepool, adulterou depoimentos, forjou situações e buscou transformar as
vítimas em culpados lhes imputando históricos de brigas, crimes e envolvimento
com álcool ou drogas. O governo inglês permitiu que as provas fossem alteradas
para redimir a culpa do poder público e evitar desgastes. Continue lendo:

