Indiferença criminosa
Nosso mundo é assim: algumas
pessoas não importam, outras simplesmente não se importam. O valor da vida é
proporcional à riqueza material e à conta bancária de cada um e quem determina
isso é a nossa pobre (di)visão dos homens, nossa cumplicidade e o nosso
silêncio, os que morreram ontem ou no mês passado, os que morrerão hoje ou
amanhã serão da nossa conta conforme o tamanho da conta que tinham no banco, a
cor da pele, o bairro onde moravam. Aqueles que morreram nas últimas semanas
não importavam, talvez já nem se lembre. A cena e o roteiro eram sempre os
mesmos: uma moto com dois homens encapuzados parando em frente a um grupo de
jovens, tiros, alguns baleados, uns mortos, outros feridos. Quantos morreram
assim ninguém vai saber, eram pobres e moravam na periferia. Os assassinos,
esses nunca serão conhecidos, nunca pisarão num tribunal, jamais serão julgados.
Desconfiamos de quem atirou, existem testemunhas, mas palavras de pobre ou de
preto também não contam. A polícia não
quer e não vai investigar e todas sabem o motivo. Quando os homens da lei
esquecem as regras e agem por conta própria, quando se tornam justiceiros
bancados com dinheiro público, quando formam esquadrões da morte e agem na
clandestinidade ou quando atiram e matam para espalhar o terror eles fazem isso
com a cumplicidade daqueles que não se importam e são esses os que importam,
são esses que garantirão o silêncio e a impunidade. Continue lendo:



