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terça-feira, 5 de junho de 2012

Entre tapas e beijos

Entre tapas e beijos


Em algum lugar minimamente sério o senhor Paulo Maluf estaria atrás das grades ou completamente enterrado, nem que fosse em sentido figurado. Com seu nome na lista de corrupção internacional do Banco Mundial e procurado pela Interpol, aos 80 anos o político paulista continua vivendo tranquilamente entre sua mansão nos Jardins e o Congresso Nacional e é disputado pelos mais importantes partidos políticos do país. Cria da ditadura, Maluf é sinônimo de corrupto, sua vida é recheada de escândalos, suspeitas de lavagem de dinheiro e mau uso do dinheiro público, mas no sistema político brasileiro ainda está longe de ser cachorro morto, boa ou má sua imagem lhe dá peso de lenda viva. Ainda assim, mesmo que tenha seus eleitores cativos, e não são poucos, não seria de se esperar que a essa altura fosse cortejado por PT e PSDB como se fosse a noivinha ideal. Ocorre que o malufismo possui uma força significativa no conservador eleitorado paulista e o Dr. Paulo não deixou herdeiros de peso, são votos capazes de decidir uma eleição; para além disso, Maluf e seu partido possuem um tempo de televisão que vale ouro. Por menos de dois minutos qualquer partido parece estar disposto a vender a alma ou, se ainda restasse alguma, a dignidade. Sim, tempo é dinheiro e numa campanha eleitoral quem o tem pode negociá-lo com quem lhe oferecer as melhores ofertas, alguns segundos podem valer um vice, podem valer alguns ministérios ou secretarias, isso para não entrar em questões mais evidentes de corrupção. Continue lendo

 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Os tucanos e os muros

Os tucanos e os muros
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Dois fatos recentes marcaram a oposição tucana nos últimos meses: o primeiro discurso de Aécio neves no Senado e o artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado na revista Interesse Nacional. O ex-governador mineiro deveria lançar as bases da oposição ao governo Dilma, não conseguiu ir longe e ficou muito distante do que se espera de um líder oposicionista; com seu ar de bom moço Aécio não empolga e no seu medo de não se comprometer não fala nada de novo, não vai além do óbvio e não diz a que veio. Fernando Henrique, ao contrário, parece ter perdido o medo de falar o que pensa, sabe que não voltará a disputar os votos dos eleitores e sabe que não deve nada aos companheiros de partido que lhe abandonaram; ainda assim é, hoje, quem na oposição parece ter algo a dizer. Segundo o ex-presidente, os tucanos devem deixar de disputar o povão com os petistas e se dedicar às classes médias. Sua análise é sensata e lógica, os mais pobres estão sim com o PT mas o que importa é que a nova classe C, a nova classe média, é quem vai decidir as próximas eleições e a questão a se saber é o quanto essa parcela da população vai atribuir sua ascensão às políticas petistas e por qual discurso ela se deixará  seduzir. 
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terça-feira, 7 de junho de 2011

A volta do mensaleiro

A volta do mensaleiro
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Nelson Gonçalves não cantaria essas frases mas a canção talvez não seja despropositada. Imagino a cena: o ex-tesoureiro petista, um dos pivôs do mensalão, cantando ao reencontrar seus amigos de partido: “Boemia, aqui me tens de regresso; e suplicante te peço a minha nova inscrição. Voltei pra rever os amigos que um dia eu deixei a chorar de alegria... Sabendo que andei distante, sei que essa gente falante vai agora ironizar: ele voltou! O Delúbio voltou novamente, partiu daqui tão contente. Por que razão quis voltar?” Sei que estrago a canção, sobretudo porque a questão que importa não se refere à vontade delubiana de voltar mas à generosidade dos companheiros em aceitá-lo. O PT sabe que pagará um preço por re-filiar Delúbio Soares, que isso desgastará o partido junto à opinião pública e que o escândalo do mensalão deverá ser julgado antes das próximas eleições presidenciais, mas ainda assim continua apostando que nada pode lhe atingir e que deve reintegrar mais um ‘suspeito’. O risco é alto, considerando que alguns dos seus principais líderes devem ser condenados e que o partido se mostra cada vez mais distante da sua antiga bandeira da ética; o mensalão deverá ser julgado no próximo ano e caberá ao governo e aos petistas o ônus de explicar à sociedade porque houve tanta complacência com a sua banda podre.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Com a faca e o queijo na mão

Com a faca e o queijo na mão
A menos que ocorra uma hecatombe ou uma tragédia de proporções apocalípticas, Dilma Roussef deve ser eleita a primeira presidente do país. Pelo menos um ano atrás já se discutia que isso seria quase o mais provável: ela teria o queijo e a faca na mão, só não ganharia se fizesse muito esforço para isso. A equação é muito mais simples do que qualquer previsão de mãe de santo: o governo Lula tem tachas de aprovação extraordinárias, apenas cerca de cinco por cento do eleitorado percebe seu governo como ruim ou péssimo; o atual presidente é o político mais carismático da história recente e, mais que isso, é talvez o maior mito vivo de que se tem notícia na América do Sul – Maradona talvez seja seu único concorrente. Soma-se a isso o fato de não ter havido, efetivamente, oposição ao governo nos dois últimos mandatos e a vantagem de ele ter sido antecedido por um governo que terminou em crises, inclusive de popularidade. Lula poderia eleger um fusca amarelo? Não se pode duvidar! O certo é que Dilma  e o  PT só poderia m perder para eles mesmos e todas as canalhices, abusos e bobagens dos petistas parecem ser ainda insuficientes para isso.