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terça-feira, 7 de maio de 2013

O suicídio e a vida

O suicídio e a vida   


Jéssica decidiu morrer; para ser mais exato decidiu desistir da vida. Vítima de transtornos alimentares desde a infância, anoréxica em situação de magreza extrema, a mais de um ano ela não come alimentos sólidos esperando se livrar das dores que lhe atormentam o corpo e a alma. Hoje, aos 32 anos, ela vive em estado deplorável e certamente já não lembre aquela moça inteligente e simpática que estudou medicina por acreditar na vida quando ainda conseguia não apenas sorrir com seus prazeres mas também lutar para que outros sofressem menos. Pouco mais de três décadas foram o bastante para acumular problemas, sofrimentos e angústias suficientes para que simplesmente decidisse escolher ou aceitar a morte, seu último ou único desejo. Poderia como outros ter escolhido a hora e local, poderia ter se jogado da ponte, tomado veneno, escolhido a arma e a munição, mas escolheu a morte lenta, decidiu apenas se entregar, se deixar tomar. Por amor e piedade seus pais e amigos entenderam e respeitaram essa vontade e tudo chegaria ao fim dignamente não fosse uma decisão judicial. Jéssica, que na verdade não tem esse nome, não poderá levar a cabo seu último ou único desejo, deverá ser obrigada a se alimentar por ordem da justiça; seu destino foi decidido num tribunal, na cabeça de um juiz, um representante do Estado que não viveu sua vida, não sentiu suas dores nem partilhou suas angústias ou sofrimentos. Continue lendo

 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A corda e o pescoço

A corda e o pescoço

Somos assim, na superfície tudo parece calmo, mas nas profundezas o inferno arde em chamas, pronto para explodir. Nos poços mais profundos da alma podemos perceber a engrenagem dessa máquina movida por desejos, instintos e interesses; é lá que poderemos encontrar o tênue equilíbrio entre o fogo que sustenta a vida e as chamas que nos levam à morte. Somos a espécie única de uma máquina capaz de autodestruir, apenas para nós o suicídio é uma possibilidade, como se a cada dia tivéssemos que nos responder a nós mesmos por que a vida vale a pena. Jacintha Saldanha resolveu morrer. Como tantas outras pessoas ao redor do mundo, num dia igual a qualquer outro dia decidiu dizer chega, saiu de casa, se despediu do marido e dos três filhos, escreveu três cartas de despedida foi para seu trabalho. Enfermeira, foi para o mesmo hospital onde cuidava da vida das pessoas e resolveu apelar para a tradição, amarrou uma corda no pescoço e se enforcou. Ninguém jamais poderá chegar às profundezas da sua alma, ninguém saberá seus motivos. Seria mais uma suicida, mais um número, faria parte das estatísticas, mas Jacintha havia se tornado conhecida três dias antes... Continue lendo: