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terça-feira, 23 de abril de 2013

Politicamente imbecil

Politicamente imbecil

Aquilo que nos faz rir mostra um pouco do que nós somos. Há quem ache graça em piadinhas preconceituosas sobre negros, gordos, gays, judeus e deficientes assim como quem ache divertido falar daquilo que afeta a outros: racismo, fome, estupros ou genocídios, portanto, não se deve estranhar o fato de termos humoristas e espetáculos que se especializam nisso; há quem goste. Atirar para todos os lados parece ter se tornado algo legal, atitude de pessoas descoladas que não se importam com o suposto patrulhamento politicamente correto e de corajosos que tocam em feridas não cicatrizadas. Será mesmo? Não há novidade nesse humor ou nessas piadas, se alguém acha engraçado comparar negros com macacos ou pensar que mulher feia deveria agradecer por ser estuprada talvez seja mesmo um problema dela, mas não há nada de moderninho nisso, são os velhos preconceitos de sempre e as mesmas brincadeirinhas que deixam transparecer o modo como nossa sociedade discrimina as pessoas: mulheres são burras, gays são promíscuos, judeus são avarentos, nordestinos são ignorantes, pobres são sujos, idosos são dementes... O velho novo humor reforça estereótipos e comportamentos atrasados escondendo-os sob o moderninho rótulo de politicamente incorreto. Sim, devemos testar limites, sugiro um novo stand up: já as piadas são as mesmas e que o público desse humor é em sua maioria branca e de classe média que tal contar piadinhas sobre seus hábitos patéticos, sua falta de inteligência e suas crenças ridículas para sentir o quanto eles acham graça de si mesmos? Sim podemos fazer humor com ou sobre pobres, negros ou quem quer que seja, qualquer situação da vida pode ser motivo para o riso e o riso pode tornar nossas vidas mais leves, que fique claro: esse não é problema, este se encontra no uso de piadinhas insossas para reforçar nossos preconceitos mais profundos ou para aliviar o peso das nossas discriminações. Sou daqueles que perdem o amigo mas não perdem a piada, sou contra qualquer censura mas não deixo de achar estranha uma sociedade que deseja ver crianças combatendo o bullying nas escolas enquanto continua achando graça ao ver gordos serem chamados de baleias, magrelos de aidéticos, negros de macacos e nordestinos de jumento. Talvez o palco e vida não sejam coisas tão distantes assim.