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terça-feira, 26 de março de 2013

Tanto anjos quanto demônios

Tanto anjos quanto demônios

A centralização do poder e o fortalecimento do Estado com suas forças repressivas serviram para aumentar a segurança da sociedade, para garantir a paz interna das nações e proporcionar a ‘vida menos solitária, pobre, sórdida embrutecida e curta’, para usar a expressão de Hobbes, seu grande defensor. Contudo, se o poder do Estado foi capaz de domar a natureza humana, como sugere Steven Pinker (ver post anterior) e impor paz entre os homens, reduzindo o constante temor ante o perigo da morte violenta, ele próprio se torna o detentor da violência, que, antes dispersa entre os homens, agora ganha corpo e poder extraordinário. O Estado e as forças atreladas a ele foram nos últimos séculos os grandes executores da violência, num grau talvez jamais visto no passado. Independente do regime, da forma de organização econômica, da participação popular e dos detentores do poder o que se viu por todos os cantos do planeta foi o uso do poder do Estado para crimes em massa, de assassinatos e deportações, a campos de concentração e genocídios. A resolução dos conflitos, antes no olho por olho, dente por dente, passaram a ser mediados pela esfera política onde vence quem detém o poder estatal. A violência está na base do Estado e essa violência que permite sua existência é constantemente voltada para determinadas parcelas dos seus súditos, mulheres e homens que, ao menos na teoria, abriram mão do seu poder individual e da capacidade de auto-defesa para dar a essa força que os constrange o poder para proteger suas vidas e garantir a paz.
  

terça-feira, 19 de junho de 2012

Bandidos e mocinhos

Bandidos e mocinhos

Quando crianças, aprendemos que o bem e o mau formam realidades distintas e antagônicas; em nossa infância o mundo se divide entre heróis e vilões, entre bandidos e mocinhos. Felizmente, quando crescemos tendemos a abandonar essa visão simplista e vemos que o mundo é mais complexo e que policiais e bandidos muitas vezes atuam juntos, de um mesmo lado. No post anterior disse que bandidos se escondem sob a farda de policiais, mas teve quem preferiu ler que eu teria dito que policiais são bandidos ou que eu fazia apologia ao crime; pode ser uma leitura equivocada, pode ser, então vou facilitar a leitura pois o que digo não é simples preconceito e o que exponho não são ideias que surgiram do nada. Desconfio sim da ação da polícia baiana na greve pois é a própria Secretaria de Segurança Pública quem põe policiais sob suspeita; quem acusa as milícias de praticarem matança é o setor de inteligência da Polícia Civil e quem diz com todas as letras que grupos paramilitares se aproveitaram da greve para matar quem estava incomodando foi o senhor Arthur Gallas, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa. Se existem críticas à atuação da polícia não é por maniqueísmo infantil, a violência policial não é criticada só por quem defende bandidos, mas por instituições importantes como a ONU e a Anistia Internacional que afirmam que a violência policial é um dos principais problemas de violação aos direitos humanos no Brasil; Continue lendo


terça-feira, 12 de junho de 2012

Quem nos proteje da polícia?

Quem nos proteje da polícia?

Por todo o país as polícias militares abrigam, escondem e protegem enormes contingentes de criminosos; a greve de policiais baianos apenas evidencia aquilo que qualquer jovem morador das periferias das grandes cidades sabe, desde sempre, por sentir na pele: que ladrões e assassinos, criminosos de todos os tipos, aproveitam o direito de usar armas, as fardas que vestem e o poder que o Estado lhes concede para praticar crimes. Às elites talvez assuste a ilegalidade dos atos praticados, é raro ver imagens de PMs encapuzados atirando a esmo e apavorando a população como se viu no centro de Salvador. Nas periferias o que choca é que os homens que deveriam proteger a população além de não cumprirem sua tarefa ainda contribuem para aumentar a sensação de insegurança. Durante a greve, 109 pessoas foram assassinadas apenas na capital baiana, 100 delas por arma de fogo, dessas pelo menos 59 foram baleadas na cabeça. Se o número é maior, os executados são os de sempre: jovens pobres e, em sua maioria, negros. Jamais saberemos quantos desses assassinatos foram praticados por policiais interessados em espalhar pânico e insegurança ou fazer acertos de contas. Ainda que se saiba, pelos boletins de ocorrência, que houve chacinas, que em pelo menos 26 casos os matadores estavam armados em comboios de até quatro veículos, atuação típica de milícias. Continue lendo