A quem serve a Marcha para Jesus, por que e
para quem marcham centenas de milhares de pessoas? A Marcha não é para Jesus e
pouco ou nada tem a ver com fé, é um ato político, é uma manifestação para
demonstrar poder, os evangélicos querem defender suas ideias e interesses;
seria bom para todos se eles fizessem isso às claras pois a multidão que lota
as ruas mal sabe o que faz ali. Entre as
igrejas evangélicas podemos encontrar alguns dos grupos criminosos mais bem
organizadas do país, não é difícil encontrar alguma igreja importante que tenha
envolvimento com esquemas de lavagem de dinheiro ou sonegação fiscal,
enriquecimento ilícito, estelionato ou falsidade ideológica; é o caso da
Renascer, principal organizadora do evento, cujos líderes, bispa Sônia e
apóstolo Hernandes, foram presos nos Estados Unidos e respondem a diversos processos
na justiça brasileira. Igrejas como a Universal, a Mundial ou a Internacional,
para não citar as intergalácticas, são impérios econômicos que disputam um
mercado de fé bilionário e se apresentam como grupos políticos com enorme poder
de influência na agenda nacional. A maioria dos líderes das mais importantes
igrejas evangélicas quer um Estado teocrático... Continue lendo
que restrinja as liberdades
individuais em nome de suas crenças, desejam dominar a vida coletiva,
determinando o certo e o errado, o bom e o ruim, o justo e o injusto e tudo o
mais que envolve ideias, crenças e comportamentos. Manifestações como a Marcha utilizam os fiéis como
massa de manobra para defender o que há de mais conservador e reacionário na
política brasileira política, para lutar contra a laicidade do Estado, contra
os direitos dos homossexuais e contra as liberdades individuais. Esses que vão
para as ruas são chamados a votar em representantes de suas igrejas; e votam, a
bancada evangélica é uma das maiores do Congresso. Da bancada evangélica saíram alguns dos piores
vermes da política nacional como Natan Donadon e Marco Feliciano. Representantes
dessa bancada respondem por diversos crimes, que vão da sonegação de impostos à formação de quadrilha, do peculato
à improbidade administrativa, do abuso do
poder econômico em eleições ao estelionato, da lavagem de dinheiro à
falsificação de documentos. Dos 73 deputados que formam a bancada evangélica,
23 respondem a processos, isso apenas no Supremo Tribunal Federal. Roubam,
iludem e exploram em nome de Deus. Não fosse
heresia poderíamos dizer que quando a Marcha vai às ruas Jesus deve se revirar
no túmulo.
