Nada absoluto
Poucas coisas são tão difíceis de conceituar ou delimitar quanto a
arte. Definir entre as diversas atividades humanas aquilo que é uma expressão
artística e definir seu valor é uma tarefa extremamente complexa e envolve
dilemas estéticos e ingredientes culturais os mais diversos. Podemos pensar
arte em suas relações com a comunicação ou a psique humana, pensar a arte como
linguagem ou como expressão de realidades interiores e exteriores ligadas à
percepções, sentimentos ou ideias. Caminho menos árduo talvez seja o da visão
sociológica: o da arte que expressa o mundo e o sentido coletivo que envolve a
criação do artista; arte como efeito, reflexo e representação de um processo
social. A arte é a marca mais visível do espírito de uma sociedade! Digo, o que
talvez seja o óbvio, para afirmar o que de certo é extremamente duvidoso: que
Lady Gaga é a maior artista do século XXI. Digo isso sem nenhuma referência às
suas canções eficazes e banais. Ela é a maior como figura, forma e imagem. A
obra de arte é a própria Gaga, criação e criatura, ela é a obra que se veste e
se despe, que fala e anda como um objeto estético, como um produto em construção
que comunica e provoca, que faz questionar, consumir, sentir e refletir
sobre o mundo, sobre o absurdo da vida nesse início de milênio, sobre uma existência sem
certezas e sem nenhum sentido. Há algo de profundo na sua aparente frivolidade... Continue lendo
