Amigos e inimigos
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No mundo real as relações políticas são, via de regra, baseadas em interesses, a partir da distinção entre amigos e inimigos – expressões usadas no seu sentido raso, sem nenhuma relação com a sofisticada formulação de Carl Schmitt – pensador alemão do século 20. Nesse campo fluido o amigo e o inimigo são definidos pelas circunstâncias e o aliado de hoje é o inimigo de amanhã e vice-versa; lemos isso nos acontecimentos no Oriente Médio, nas figuras de kadaffi, Mubarak ou Sadam Hussein. Para o ocidente, o presidente líbio Muamar Kadaffi já inimigo, virou amigo e agora volta a ser inimigo. Tido como aliado e patrocinador de terroristas nos anos 80, ganhou reconhecimento a partir dos anos noventa e levou a Líbia a ser representante do Conselho de Direitos Humanos na ONU, é hoje o inimigo da vez. Mubarak, presidente egípcio por três décadas, foi aliado fiel dos Estados Unidos até ganhar cartão vermelho do povo e da diplomacia americana. Sadam foi patrocinado pelo governo americano por mais de duas décadas até ser declarado inimigo número um. Nada de ideologias ou princípios, todos preferem ter um ditador como aliado que um democrata como concorrente. Arábia Saudita e Jordânia sempre foram regimes tão ou mais fechados que Irã, Iraque ou Líbia, mas seus monarcas são aliados do ocidente, fazem o jogo das grandes potências e abaixam a cabeça enquanto estendem as mãos ao grande império: são amigos, enquanto não arrumarem encrencas que os comprometam.
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