terça-feira, 14 de junho de 2011

As palavras e os fatos

As palavras e os fatos
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Não é difícil compreender o que o povo faz nas ruas ou porque está ali, mas de um lado se põem as causas e de outro as conseqüências. Não é simples entender o que se passa no Oriente Médio mas a imprensa internacional não se cansou de chamar as diversas manifestações de revolução árabe; como alguém que está a milhares de quilômetros do túmulo de Tutancâmon e que jamais sentiu nos olhos o doce ardor das areias do deserto líbio arrisco a afirmar que ali ocorreu qualquer coisa que não seja uma revolução. Se não quisermos banalizar o termo e pensarmos revolução com sinônimo de transformação profunda temos que buscar outro adjetivo. Os árabes não querem transformações profundas, não querem um outro mundo, outra realidade, e nem têm utopias. Se saem às ruas é por desilusão, a esperança é ter governos menos corruptos e autoritários, uma economia que possibilite mais consumo e se possível um pouquinho de liberdade política em gotas bem dosadas. A saída dos velhos ditadores não representa nenhuma grande mudança de rumo no oriente Médio. No Egito, por exemplo, Mubarak sairá do poder como que sai para férias vitalícias, em seu lugar assumirá o poder os mesmos militares que lhe garantiram o poder durante três décadas e o Estado continuará ocupado pelas mesmas forças que lhe foram fiéis desde sempre e a estrutura social egípcia continuará na forma e no conteúdo semelhante às antigas pirâmides.