terça-feira, 16 de agosto de 2011

Caminhando e cantando

Caminhando e cantando

Uma série de manifestações tem ocorrido no Chile nos últimos meses para protestar contra o modelo de sistema educacional adotado no país. Grande parte das instituições de ensino secundário e superior está parada a pelo menos três meses, grandes protestos de rua, conflitos com a polícia, centenas de presos e alunos em greve de fome. O contraponto à revolta dos chilenos é a apatia bovina dos estudantes brasileiros. As avaliações internacionais mostram que o sistema chileno quando comparado ao brasileiro tem qualidade ainda muito superior e a porcentagem de jovens universitários também é maior por lá. Com reformas que vêm da ditadura Pinochet, o Chile é um dos países que mais longe levou o processo de privatização do ensino: na prática o governo sustenta boa parte do sistema educacional privado pagando, através de bônus – os vouchers – a permanência dos estudantes nas escolas e universidades. Como o bônus nem sempre é suficiente, os estudantes mais pobres usam esses recursos para pagar instituições mais baratas e de baixa qualidade enquanto os mais ricos os complementam para estudar nas melhores, bem mais caras; esse sistema não apenas reproduz como aumenta as já enormes desigualdades sociais. Os manifestantes, que contam com o apoio da maioria da população, exigem o fim desse sistema e pedem que os recursos públicos sejam destinados às instituições públicas e que o ensino seja gratuito e de boa qualidade para todos, se opondo ao governo que se recusa a rever essa política. Enquanto isso na Terra Brazilis o sistema educacional que segrega e cria ilusões individualistas continua indo de mal a pior mas com total aprovação dos jovens, que se contentam com qualquer coisa e ainda batem palmas. Talvez seja na capacidade de bater palmas que os estudantes brasileiros se diferenciem dos bois.