terça-feira, 30 de agosto de 2011

Língua com farofa

Língua com farofa

Li semanas atrás uma entrevista com Gene Simmons, o linguarudo vocalista e baixista do Kiss. Como músico o sujeito é uma farsa inofensiva do mundo pop, mas seus comentários sobre política e economia podem merecer alguma atenção. Simmons é um pouco mais do que uma Carla Peres do rock farofa; sua enorme língua, entretanto, ajuda a articular frases que podem nos permitir alguma compreensão de um pouco do raciocínio de certa parcela do eleitorado americano. Duas coisas chamam atenção: primeiro o sujeito afirmar que iria votar em Obama pelo fato de ele ir atrás dos terroristas, segundo suas reflexões sobre economia. Como milhões de outros americanos, ele é um eleitor decepcionado com os rumos ’esquerdistas’ das políticas de Obama que resolveu rever suas posições após o assassinato de Bin Laden, nisso ele é claro ao defender que os Estados Unidos devem ‘pegar o bandido’ mesmo que para isso seja necessário violar as leis internacionais. Como analista econômico ele vai mais longe, defendendo que os sindicatos são um empecilho ao capitalismo – pois encarecem a mão-de-obra e os produtos – e se colocando contra os direitos à aposentadoria, férias e licença maternidade. Assim com boa parte dos republicanos, Simmons defende um Estado militar forte capaz de impor seus interesses nas questões externas e um Estado liberal fraco que não interfira na economia em questões internas. Paradoxalmente o exemplo que está na sua cabeça é a China, onde não por acaso a competitividade econômica é muito mais importante que a liberdade ou mesmo a vida de seus habitantes. Pois é, décadas atrás o Kiss foi visto como uma ameaça à conservadora sociedade americana, talvez tivessem razão, a julgar pelos seu vocalista devemos nos perguntar se não estamos diante de uma das bestas do apocalipse!