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Na falta de uma oposição minimamente consistente a base aliada parece se esforçar diariamente para atrapalhar o governo Dilma; entre escândalos de corrupção e incompetências, os partidos que sustentam o governo cavam os buracos nos quais pedem para serem sepultados. Não é, contudo, a má sorte ou o desígnio divino que explicam as seguidas crises, os problemas do governo começaram antes mesmo da posse da presidente, mais exatamente na composição das forças partidárias na partilha dos ministérios e cargos de alto escalão. Na busca de apoio e vantagens oficializou-se o jogo do toma lá-da-cá, o apoio partidário em troca de cargos e parcelas de poder. A escolha dos ministros foi negociada em balcões, nenhum critério técnico, nenhuma competência foi exigida, Dilma simplesmente aceitou nomes em troca de apoio; deu no que deu. Não há novidade na corrupção mas, por anos, a população apenas imaginava as vantagens dos homens do poder e pensava nas sofisticadas estratégias de corrupção e desvios de verbas públicas, hoje já não sabemos se esses homens são tão idiotas que já não conseguem esconder seus desvios ou se são tão autoconfiantes que já não se esforçam para esconder seus crimes. Cai um sobe outro. Ocorre que os partidos e seus homens parecem ter definitivamente perdido qualquer vergonha ou então chegaram a acreditar na mais completa leniência da sociedade, as precauções mais óbvias foram esquecidas como se o apadrinhamento fosse suficiente para esconder os erros mais primários. O custo disso será pago, primeiro pela população depois pelo governo.
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