Neste mês de novembro um dos mais importantes partidos políticos do país completa cem anos: a igreja pentecostal Assembléia de Deus, o maior agrupamento evangélico pentecostal do país com cerca de 20 milhões de fiéis. Ao longo de um século a Assembléia cresceu, se organizando em diversos ministérios, e ganhou além de milhões de fiéis um enorme poder de influência sobre a vida pública nacional. Para além dos seus 23 deputados federais, a igreja abriga diversos outros políticos, lidera a Frente Parlamentar Evangélica da Câmara que agrega 63 parlamentares e tem se mobilizado para defender no pais algumas das mais importantes bandeiras conservadoras: a restrição de direitos para determinadas parcelas da sociedade, a intolerância contra homossexuais, a inferioridade da mulher na vida pública e a submissão da vida política aos valores religiosos. Nas últimas eleições presidenciais a Assembléia elegeu 73% dos seus candidatos ao Congresso, apoiou e se engajou na campanha de José Serra – que teve no pastor Silas Malafaia um de seus homens mais importantes e entusiastas – guiando seu rebanho de cabos eleitorais contra o ‘perigo comunista’ Dilma. Nenhum político pode desprezar uma organização que conta com mais de 10% da população do país, nenhuma Igreja quer se distanciar dos homens que podem lhe garantir privilégios e poder de influência; no culto em comemoração ao centenário estavam o prefeito Kassab, o governador Alckmin e o ministro Secretária Geral da presidência, talvez não exatamente por uma questão de fé.
