Quem nos proteje da polícia?
Por todo o país as polícias militares abrigam, escondem e protegem enormes contingentes de criminosos; a greve de policiais baianos apenas evidencia aquilo que qualquer jovem morador das periferias das grandes cidades sabe, desde sempre, por sentir na pele: que ladrões e assassinos, criminosos de todos os tipos, aproveitam o direito de usar armas, as fardas que vestem e o poder que o Estado lhes concede para praticar crimes. Às elites talvez assuste a ilegalidade dos atos praticados, é raro ver imagens de PMs encapuzados atirando a esmo e apavorando a população como se viu no centro de Salvador. Nas periferias o que choca é que os homens que deveriam proteger a população além de não cumprirem sua tarefa ainda contribuem para aumentar a sensação de insegurança. Durante a greve, 109 pessoas foram assassinadas apenas na capital baiana, 100 delas por arma de fogo, dessas pelo menos 59 foram baleadas na cabeça. Se o número é maior, os executados são os de sempre: jovens pobres e, em sua maioria, negros. Jamais saberemos quantos desses assassinatos foram praticados por policiais interessados em espalhar pânico e insegurança ou fazer acertos de contas. Ainda que se saiba, pelos boletins de ocorrência, que houve chacinas, que em pelo menos 26 casos os matadores estavam armados em comboios de até quatro veículos, atuação típica de milícias. Continue lendo
Algumas vítimas, seis, receberam mais de treze tiros, uma levou trinta e dois; quem faz isso não quer apenas matar, quer dar recado! Em alguns estados as milícias formadas por policiais são o principal problema de segurança pública. Sim é possível dizer que a banda pobre das PMs representa apenas uma minoria, deve ser verdade, ocorre que não é possível imaginar que essa banda exista sem a conivência e o acobertamento de uma ampla e influente parcela de policiais omissos ou coniventes.
