terça-feira, 1 de maio de 2012

Entre o bolso e a urna

Entre o bolso e a urna


O bolso é um dos principais órgãos do corpo humano, é também elemento importante para as escolhas feitas nas urnas: se a perspectiva de ganhos é maior que a de perdas o eleitor tende a desejar manter o grupo que está no poder, se ocorre o contrário a tendência é a mudança. É uma simplificação tosca, óbvio, mas pode dizer algo sobre as eleições na Europa e nas Américas: em países como Brasil e Argentina a tendência é a continuidade enquanto na França, Espanha e Grécia o eleitor busca mudanças.  É um fator que não decorre de uma racionalidade econômica mas por uma sensação que pode ser de frustração, esperança ou medo, por exemplo. O bolso, entretanto, é mutável e mais volúvel que as crenças; as visões de mundo influenciam as percepções e determinam os sentimentos com uma força muito maior do que a da frágil realidade concreta dos números da economia. A derrota de Sarkozi nas últimas eleições francesas e o calvário de Obama em busca da reeleição evidenciam a força dessas visões, franceses e americanos pensam formas diferentes de Estado e desejam modos diversos de intervenção governamental; os primeiros esperam que o governo resolva seus problemas enquanto os segundos acham que ele deve não atrapalhar, não é pouco é uma diferença fundamental, temos uma sociedade que se organizou a partir do interesse público e outra que nasceu contra a estrutura estatal, uma que historicamente tentou organizar uma sociedade voltada para os interesses públicos e outra que se fundamenta no individualismo liberal. Continue lendo


Quando Sarkozi propunha reduzir o tamanho do Estado isso vai contra não apenas o interesse mas também a percepção de mundo do francês médio e quando Obama sugere um governo mais ativo ele acende o medo que a população tem de um governo que interfira em suas vidas e atente contra a livre-iniciativa. Na cabeça de franceses e americanos parece haver uma certa receita a ser seguida para que se possa sair da crise, como se o erro e o acerto estivessem predeterminados; a eleição de Holland traz a França de volta ao seu eixo, uma parte dos Estados Unidos é por natureza anti Obama, sempre foi, outra parte estará com ou contra ele de acordo com as suas perspectivas futuras, perspectivas de saúde para seus bolsos.