terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Indiferença criminosa

Indiferença criminosa

Nosso mundo é assim: algumas pessoas não importam, outras simplesmente não se importam. O valor da vida é proporcional à riqueza material e à conta bancária de cada um e quem determina isso é a nossa pobre (di)visão dos homens, nossa cumplicidade e o nosso silêncio, os que morreram ontem ou no mês passado, os que morrerão hoje ou amanhã serão da nossa conta conforme o tamanho da conta que tinham no banco, a cor da pele, o bairro onde moravam. Aqueles que morreram nas últimas semanas não importavam, talvez já nem se lembre. A cena e o roteiro eram sempre os mesmos: uma moto com dois homens encapuzados parando em frente a um grupo de jovens, tiros, alguns baleados, uns mortos, outros feridos. Quantos morreram assim ninguém vai saber, eram pobres e moravam na periferia. Os assassinos, esses nunca serão conhecidos, nunca pisarão num tribunal, jamais serão julgados. Desconfiamos de quem atirou, existem testemunhas, mas palavras de pobre ou de preto também não contam. A polícia não quer e não vai investigar e todas sabem o motivo. Quando os homens da lei esquecem as regras e agem por conta própria, quando se tornam justiceiros bancados com dinheiro público, quando formam esquadrões da morte e agem na clandestinidade ou quando atiram e matam para espalhar o terror eles fazem isso com a cumplicidade daqueles que não se importam e são esses os que importam, são esses que garantirão o silêncio e a impunidade. Continue lendo:


Cada vítima dessa violência será chorada pelas suas mães, pelos amigos, talvez pelos amores, por pessoas que também não importam, por sobreviventes igualmente sem valor; morreram e irão virar estatísticas. Hoje, novamente, aqueles que não importam terão um noite de medo, aqueles que não se importam dormirão mais tranquilos sabendo que alguém estará fazendo o trabalho sujos por eles.