sábado, 25 de fevereiro de 2017

Triste partida

Triste partida


O futebol está morrendo, seus dias estão contados. Mas enquanto definha ele sangra dinheiro. Não é apenas uma morte anunciada é uma morte estudada e programada, o futebol está morrendo porque isso representa ganhos bilionários. Por lucro querem transformar estádios em teatros, jogadores em mocinhos de novela, camisetas em espaço publicitário... Erros estúpidos de quem não sabe que o futebol que ocorre no gramado é apenas um detalhe diante do espetáculo maior que ocorre de fato nas arquibancadas e nas ruas, nas almas dos torcedores e nas suas lutas contra o inexplicável, contra o sobrenatural. Querem calar o espírito do futebol, querem que ele fique sentado e quieto, que ele seja um espetáculo de marketing, tão caro quanto frio. Os burocratas odeiam o cheiro do povão, eles querem novas arenas, ingressos caros, assentos marcados, jogadores cheirosos e times vendidos, são contra as bandeiras, contra as faixas, contra os instrumentos, contra a festa e a alegria, contra o circo dos pobres, pensam que futebol pode ser como uma ópera. Não entendem os bestalhões que a paixão do futebol está no fato de que o espetáculo não se encerra num palco ou que o palco da torcida é muito maior que o do gramado.  Continue lendo...

Os idiotas só acreditam no replay e no tira-teima, nos esquemas técnicos e na preparação física e acreditam mais nos dez centímetros do impedimento do que nas forças mágicas da sorte e do azar, eles nada sabem sobre o mundo mágico da divina falibilidade do craque e do juiz, na raça do perna de pau, na mandinga e nas tragédias da espírito humano. Querem racionalizar o que não deve ser racionalizado, querem dar sentido ao irracional, querem desencantar o que só existe pelo próprio encanto. Melhor o mundo em que as crianças brigam nas escolas e choram em seus travesseiros, em os homens gritam pelas ruas e discutem nos bares enquanto arrumam alguma conversa como desculpa para a próxima cerveja, em que o futebol seja motivo de desavenças e amizades, em que as cores das camisas motivem amores, ódios e separações... enfim que seja apenas uma banal justificativa para o que realmente importa: para que a vida seja tão mais viva quanto mais surreal. Pois como diria o filósofo Albert Camus, goleiro do Racing Club de Argel: antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida; agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado algum!