Arrogância e burrice
Tenho enorme dificuldade para ler e compreender determinados textos. Não me envergonho disso. Entendo que o problema nem sempre está na linguagem técnica ou hermética do autor especialista, pode ser isso mas não só isso, de modo geral o problema está no elevado grau de sofisticação intelectual de alguns autores. Ainda não alcanço certas alturas. Já desisti de reconhecidos gênios da literatura e da filosofia, já larguei Wittgenstein, Marcuse e Heidegger, abandonei outros no meio do caminho, sei que preciso de mais bagagem intelectual para enfrentá-los de modo digno, o que significa conseguir entendê-los e ainda tirar prazer e proveito da leitura. Os professores devem falar isso aos seus alunos. Admitir que o texto e a capacidade de alguns autores estão alguns passos à sua frente é uma atitude respeitosa que pode nos livrar de uma arrogância estúpida. A maioria de nós sabe pouco, lê mal e, também por isso, interpreta tudo a partir de um simplismo ingênuo, quase infantil. Corremos o risco de traduzirmos os gênios para o universo da nossa mediocridade. Num país em que quase 40% dos universitários são analfabetos funcionais o mínimo que podemos no impor seria uma certa humildade na leitura mas geralmente somos tolos e arrogantes, e pouco importa saber se somos arrogantes porque somos tolos ou se somos tolos por conta de nossa arrogância, o fato é que essa combinação faz com que julguemos os outros a partir do nosso simplismo intelectual e da nossa preguiça. Continue lendo:
Sem qualquer cerimônia, aqui os grandes são analisados e condenados pelos medíocres, cada um lê e entende o que lhe convém, engolindo e vomitando grifes de verdades filosóficas produzidas nos subúrbios da burrice. Somos mais sábios quando reconhecemos nossas grandes limitações. Ler mal e entender errado, nesse sentido, pode não ser só um problema de comunicação pode ser sobretudo um problema de arrogância e, portanto, de caráter.
