Wonderful World
Somos todos umas bestas; sempre fomos e sempre seremos essencialmente ridículos, uns mais outros menos – caso isso não seja apenas questão de ponto de vista, a patetice faz parte da essência humana. Nunca foi diferente, delírios e egos inflados à parte, excetuando os momentos de autocomplacência, autoengano ou euforias delirantes, no fundo as pessoas normais sempre souberam que eram insignificantes e por conta disso se recolhiam em suas vidas banais; todos, e cada um, faziam o que estava ao seu alcance para parecer menos tolos, para se demonstrar menos bobos, inúteis, fúteis ou ridículos. Talvez o mundo tenha sido melhor quando os homens não estavam dispostos a compartilhar suas boçalidades; hoje todos querem compartilhar, abrir seus mundos de futilidades, abrir as páginas de suas vidas como se elas fossem obras de um Shakespeare inspirado, queremos mostrar nossas boçalidades como grandes obras de arte. Queremos enxergar em nós um Mozart, um Goethe, um Marx, um gênio qualquer mas estamos todos nas redes, abrindo os nossos vazios existenciais e a falta de sentido de nossas existências; seguimos uns aos outros, adicionamos amigos como quem soma moedas, confundimos experiências concretas e virtuais. Tio Nelson tinha razão, no passado o idiota era o primeiro a saber que era idiota e, limitando-se a babar na gravata, reconhecia-se como um inepto e jamais se atrevia a mover uma palha, Continue lendo:
hoje não, como estrela de Hollywood, todos querem mostrar suas caras e seus perfis, com nome, apelido e data de aniversário e, pior, com fotos de celulares diante dos espelhos. A tristeza desse mundo contrasta com a fácil felicidade individual que a patetice nos proporciona, cada um pensa ser publicitário de ser mesmo, imaginando criar a si ao mesmo tempo em que cria uma imagem de si; ilusão publicitária, muitos pensam em se criar enquanto proposta e produto e se colocar a venda num mercado de popularidade, onde a moeda vale tanto quanto a vida: tudo e nada.
hoje não, como estrela de Hollywood, todos querem mostrar suas caras e seus perfis, com nome, apelido e data de aniversário e, pior, com fotos de celulares diante dos espelhos. A tristeza desse mundo contrasta com a fácil felicidade individual que a patetice nos proporciona, cada um pensa ser publicitário de ser mesmo, imaginando criar a si ao mesmo tempo em que cria uma imagem de si; ilusão publicitária, muitos pensam em se criar enquanto proposta e produto e se colocar a venda num mercado de popularidade, onde a moeda vale tanto quanto a vida: tudo e nada.
